Print Friendly and PDF
only search openDemocracy.net

Outro gasoduto em terras indígenas – esta vez no México

Um novo gasoduto em construção no norte do México desencadeou uma importante controvérsia e confrontos ao afetar terras que pertencem à comunidade Yaqui. English Español 

Tribo yaqui. Flickr/Malova Gobernador. Todos os direitos reservados.

A comunidade yaqui não está nada satisfeita com o projeto do gasoduto de Agua Prieta, que recorre parte do seu território. As coisas pioraram no dia 21 de outubro, quando partidários do gasoduto atacaram um grupo de manifestantes que protestavam contra a sua construção, matando um, ferindo oito e causando danos materiais consideráveis.

A tribo yaqui tem uma longa história de repressão, mas também de resistência. Tal como outras comunidades indígenas do México, vários membros da tribo yaqui perderam a vida lutando contra empresas privadas invasoras e contra autoridades não indígenas. Há apenas dois anos, antes do conflito do gasoduto de Agua Prieta, os yaquis organizaram protestos contra um aqueduto a grande escala, que teria desviado o que restava das aguas do seu rio sagrado para a cidadã de Hermosillo.

De acordo com os planos, o projeto do gasoduto de Agua Prieta estende-se desde o Arizona, no Estados Unidos, até ao Arizona, no México. Uma parte do seu percurso cruza 90 quilómetros de território yaqui, que está protegido pela lei mexicana. Construir um gasoduto sem consultas justas, transparente e inclusivas com todas as comunidades yaqui, segundo os lideres comunitários, seria uma violação da soberania da terra yaqui.

Recentemente, membros da tribo Yaqui em Loma de Vácum conseguiram uma moratória da construção do gasoduto. Contudo, segundo os meios de comunicação locais, as autoridades mexicanas anunciaram que a construção irá para a frente porque “uma comunidade” não pode parar “um projeto que beneficiará as gerações futuras”.

De acordo com a página do Facebook da “Solidariedade Tribo Yaqui”, a construção irá para a frente apesar de que nunca se tenham levado a cabo consultas justas e transparente, nem negociações: “por um lado, os yaquis de Loma de Bácum opõem-se ao gasoduto e interpuseram uma queixa contra as obras. Até ao momento, o projeto realizou-se sob o amparo de uma consulta simulada da Secretaria de Energia (SENER), que juntamente com a empresa Sempra Energy, o governo de Hermosillo, os meios de comunicação locais e os governos municipais (todos eles a favor do projeto) tentaram através de todos os meios debilitar a oposição em Loma de Bácum. Os outros atores visíveis neste conflito, amparados pelos partidários do projeto, são yaquis de outros 7 povos que, de forma surpreendente, protagonizaram atos de violência e intimidação para que a construção do oleoduto penetrasse no território de Bácum.

A “Solidariedade Tribo Yaqui” expressa também a sua preocupação pela discriminação e falta de representação dos yaquis de Bácum:

“A estes homens não lhes preocupa a vida de uma, duas ou três pessoas – e muito menos se são indígenas. São aqueles aos que não lhes importa se cai um governo indígenas. São aqueles aos que não lhes importa se se extermina a cultura yaqui. O importante para eles é terminar as obras e embolsar os benefícios, consolidando a sua apropriação do território yaqui”.

A jornalista mexicana Gema Villela Valenzuela, que esteve informando sobre o conflito desde uma perspetiva de género, descreveu as ameaças que receberam as mulheres yaqui de Loma de Bácum desde que se enfrentaram ao oleoduto de Agua Prieta:

“As mulheres da comunidade yaqui (que pediram anonimato por motivos de segurança) informaram que a construção do gasoduto por arte de Gasoduto Agua Prieta gerou violência: desde confrontos entre membros da comunidade até ameaças contra lideres yaquis e mulheres do mesmo grupo étnico, defensores de direitos humanos dos povos indígenas e ativistas ambientais. Explicaram que, como resultado do conflito, queimaram-se veículos e houve lutas nas que morreu um homem. Algumas mulheres da comunidade tiveram que permanecer em lugares considerados seguros, como recomendavam as autoridades yaquis de Bácum. Receberam ameaças porque se opuseram a assinar a autorização coletiva para a construção do gasoduto.”

Segundo o jornalista Al-Dabi Olvera, membros da comunidade yaqui de Loma de Bácum denunciaram esta situação perante a Comissão Mexicana de Direitos Humanos e perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Este artigo foi publicado previamente por Global Voices.

About the author

Andrea Arzaba es una periodista y creativa de medios de comunicación mexicana. Actualmente cursa una Maestría en Estudios Latinoamericanos, con concentración en temas de desarrollo, en Washington DC.

Andrea Arzaba is a Mexican journalist and media creative. She is currently doing a Master’s Degree in Latin American Studies, with a concentration on development, in Washington DC.


We encourage anyone to comment, please consult the
oD commenting guidelines if you have any questions.