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As mudanças climáticas aumentam o risco do vírus Zika

22 países latino-americanos relataram vários casos de Zika. À medida que a temperatura global sobe e as regiões do planeta aquecem, a emergência toma uma dimensão internacional. English Español

Mosquito transmissor do virus zika, dengue e chinkungunya (image: Sanofi Pasteur )

A explosão do número de casos de microcefalia na América Latina e Caribe virou uma emergência internacional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a falta de vacinas e de testes rápidos que diagnostiquem a doença são os principais motivos para que o mundo fique em estado de alerta.

Mais uma vez, essa grande ameaça à saúde humana começa com a picada do mosquito aedes aegypti. O inseto, que também transmite dengue e chinkungunya, pode infectar pessoas com o vírus zika. Existem fortes evidências de que esse vírus esteja causando microcefalia em recém-nascidos.

Pesquisadores da área de infectologia ainda tentam entender como o zika em mulheres grávidas provoca a malformação congênita. “Todos concordam sobre a urgência de se coordenar esforços internacionais para investigar e entender melhor essa relação”, declarou a chefe da OMS Margaret Chan.

Por enquanto, a única defesa contra o zika é manter distância do mosquito. Mas à medida que a temperatura global sobe e regiões do planeta ficam mais quentes, o aedes aegypti chega cada vez mais perto. Isso faz com que um outro grupo de cientistas olhe para o mapa global com preocupação extrema.

“O aquecimento global afeta a abundância e distribuição dos vetores da doença, aumentando assim a incidência de doenças infecciosas e ampliando as áreas geográficas em risco”, afirma Fiona Armstrong, diretora executiva da Aliança Clima e Saúde, baseada na Austrália.

O calor e a umidade associados à mudança climática criam condições ideais para a procriação de mosquitos, acrescenta Armstrong. “À medida que regiões que antes eram mais secas e frias passam a registrar temperaturas mais elevadas e mais chuva, mosquitos expandem suas áreas de reprodução, o que aumenta o número de populações de risco.”

Ritmo de expansão

A OMS estima que até quatro milhões de casos de zika serão registrados nas Américas nos próximos 12 meses. Cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas e, quando eles aparecem, o paciente tem febre, vermelhidão na pele (exantema) e conjuntivite.

Pelo menos 22 países latino-americanos reportaram casos de zika – o Brasil é o mais afetado. Em novembro de 2015, o Ministério da Saúde confirmou a relação entre o vírus e o surto de microcefalia na região Nordeste. Desde então, 3.448 casos suspeitos de microcefalia estão sendo investigados em todo o país. Acredita-se que o zika  tenha chegado ao Brasil com um turista asiático durante a Copa do Mundo de 2014.

Pesquisadores nos Estados Unidos temem que o vírus se espalhe rapidamente pelo território. Um estudo feito por Davidson Hamer e Lin Chen, do Boston Medical Center, afirma que o risco de difusão do zika é elevado devido à presença do mosquito aedes aegypti e aedes albopictus em vários estados. E, dentro de alguns meses, será verão no hemisfério norte, época apropriada para reprodução do mosquito.

Segundo a rede de noticias China Network Television (CNTV), autoridades locais monitoram o risco de o vírus chegar à China, embora nenhum caso tenha sido registrado no pais até o momento. O ministério das Relações Exteriores chinês já se colocou à disposição para ajudar as autoridades latino-americanas no que for possível, inclusive, na busca de vacinas para combater a doença.

O zika foi descoberto em Uganda, África, em 1947. O primeiro surto em humanos foi registrado apenas em 2007. O vírus passou então a circular pela Ásia e deixou pelo menos 19 mil infectados na Polinésia Francesa em 2013, onde as primeiras associações com microcefalia foram feitas.

Além da malformação congênita, acredita-se que o zika também provoque a síndrome de Guillain-Barre, uma doença neurológica que pode resultar em paralisia temporária ou definitiva.

Mais pressão

Autoridades ainda têm dificuldade para prever qual proporção o surto de zika pode atingir. Para o pesquisador Christovam Barcellos, do Observatório do Clima e da Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, o histórico da dengue pode dar algumas pistas.

“Temos observado que as áreas de transmissão de dengue estão se expandido pelo mundo todo. No Brasil, a dengue está chegando cada vez mais para o sul e em cidades mais altas, que antes eram mais preservadas”, comenta Barcellos. “Isso é possivelmente um efeito das condições climáticas sobre a saúde.”

Estudos já apontam o sul da China e o Sudeste Asiáticos como áreas de transmissão da dengue, assim como o norte da Austrália. Ou seja, já que o mosquito vetor habita essas regiões, pode ser que o zika também provoque um grande número de infectados.

“É impressionante como o aedes está adaptado na cidade. Ele tem um ciclo de uma a duas semanas – nesse período, deixa de ovo e sai voando e picando as pessoas. E as cidades têm um ambiente propício pra ele se reproduzir”, acrescenta Barcellos.

Segundo pesquisadores, a estimativa é de que as mudanças climáticas coloquem ainda mais pressão sobre os sistemas públicos de saúde, o que vai dificultar a alocação de recursos para o combate de novas doenças principalmente em regiões subdesenvolvidas do globo.

Em países latino-americanos e ainda em desenvolvimento como Brasil e Colômbia, que sofrem com o aumento de casos de microcefalia provavelmente em decorrência do vírus zika, a situação pode se complicar no futuro.

“Eu acredito esses são exemplos de como lideranças políticas e autoridades de saúde têm subestimando a amplitude e complexidade associadas com riscos para saúde humana que um planeta mais quente traz”, completa Fiona Armstrong.

Este artigo foi publicado anteriormente pelo Diálogo Chino.

About the author

Nadia Pontes es periodista y actualmente trabaja como cronista freelance para la prensa nacional e internacional. Pasó los últimos 5 años en Deutsche Welle, Alemania, donde trabajó como reportera y editora del sitio. Posteriormente, fue editora y presentadora del programa brasileño Futurando, especializado en medio ambiente, ciencia e innovación. En Brasil, tuvo participaciones en televisión en SBT, Band Radio Valley y Vanguard Red, afiliado a Globo en el Valle de Paraíba.

Nadia Pontes is a journalist currently working freelance for national and international press. She has spent the last 5 years at Deutsche Welle in Germany where she has worked as a reporter and editor and latterly as a presenter of Futurando, a program about environment, science and innovation. In Brazil, she has spent time at SBT, Band Vale radio and Rede Vanguardia.

Nádia Pontes é jornalista, atualmente trabalha como repórter freelancer para imprensa nacional e internacional. Passou os últimos 5 anos na Deutsche Welle, na Alemanha, onde atuou como repórter e editora do site e, posteriormente, como editora e apresentadora do Futurando, programa sobre meio ambiente, ciência e inovação. No Brasil, teve passagens pelo SBT, rádio Band Vale e Rede Vanguarda, afiliada da Globo no Vale do Paraíba.


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