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Chile durante a pandemia: as emoções de outubro acalmaram?

Como a crise sanitária atenuou, substituiu e redefiniu os sentimentos e opiniões expressadas pelos chilenos durante os protestos de 2019.

Oscar Mac-Clure Emmanuelle Barozet José Conejeros
8 September 2020
Protestos chilenos de 2019 em Puerto Montt
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Natalia Reyes Escobar/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0

Em 18 de outubro de 2019, o Chile sentiu os primeiros tremores de uma crise social que abalaria o país pelos próximos meses. Embora os grupos de poder associem a revolta social apenas à desordem e destruição, uma pesquisa dos autores publicada em março mostrou que o dia 18 de outubro, conhecido como 18/O, despertou em muitas pessoas a ideia de que o futuro poderia ser melhor.

No entanto, ao falar com essas mesmas pessoas novamente, após meses de pandemia, os autores relatam que a esperança se esvaiu. Aqueles com menos recursos se viram mais uma vez em uma posição de “poucas perspectivas, divididos entre o otimismo religioso de que Deus proverá e o medo de que as coisas piorem”; o termo "povo", que havia surgido como identidade geral no 18/O, não era mais mencionada; e entre pessoas da classe média, os autores observam fortes temores de perder seu status social, expressa, por exemplo, no medo de ter que educar os filhos em escolas mais baratas ou até mesmo públicas.

Neste artigo estudamos os sentimentos e ideias dos chilenos durante a pandemia de Covid-19, abordando as mudanças que ocorreram desde a revolta de 18 de outubro até a crise sanitária. Quando, durante os protestos, os chilenos gritavam “não é por 30 pesos, é por 30 anos”, havia fortes convicções e intensas emoções sendo manifestadas nos protestos de rua, apesar da violência da repressão. Procuramos compreender se a pandemia atenuou, substituiu e redefiniu os sentimentos e opiniões das pessoas em comparação com o que expressaram durante as manifestações que começaram em outubro de 2019.

Embora muitas explicações sobre as causas e consequências do 18/O levem em conta as motivações racionais ou estratégicas dos atores sociais e políticos, as emoções são de particular relevância para as crises sociais (Elster, 2010). Nosso objetivo era, portanto, explorar o efeito da pandemia na sociedade chilena à luz da rápida série de mudanças, crises e emoções associadas vividas pela nação desde 2019.

Este trabalho é parte de um projeto maior de pesquisa sociológica envolvendo grupos focais que começou nas semanas que antecederam o 18/O, continuou durante a revolta, e depois na pandemia. Em maio e junho de 2020, em meio à emergência da Covid-19, organizamos reuniões online através da plataforma Zoom, reunindo os mesmos grupos de pessoas com as quais tínhamos nos encontrado anteriormente. Essa estratégia nos permitiu captar a evolução de suas situações, atitudes e emoções, e ligar suas experiências pessoais com as circunstâncias complexas pelas quais a sociedade chilena vem vivendo.

O dilema entre a sobrevivência financeira e ser um foco de contágio na família foi uma das maiores fontes de angústia e culpa expressa pelos participantes

Os grupos consistiam de homens e mulheres de diferentes classes sociais da capital chilena, Santiago, e da cidade portuária de Puerto Montt, no sul do país. As conversas foram acompanhadas por um conjunto de vinhetas exibindo informações sobre pessoas reais de diferentes idades de toda a sociedade chilena, incluindo uma empregada doméstica, um motorista de táxi e um acionista de grandes empresas. A metodologia incentivou os participantes a refletir sobre como os personagens retratados estariam sendo afetados pela situação da Covid-19 e a expressar opiniões pessoais sobre este cenário complexo.

Incerteza e medo

Nas palavras de uma participante do grupo focal, uma professora de jardim da infância, a pandemia criou uma atmosfera na qual “todos estão inseguros; estamos todos com medo ”, e a emoção mencionada com mais frequência durante as conversas foi o medo.

Em primeiro lugar, o medo sentido durante a pandemia é diferente daquele sentido durante os protestos. Os acontecimentos de 18/O provocaram um alarme inicial diante de eventos violentos como incêndios e saques. Nas semanas que se seguiram, os participantes também expressaram temor de repressão por parte das autoridades, embora esse sentimento tenha sido amenizado pela enorme escala das manifestações públicas e pelo sentimento positivo de que uma mudança real estava no horizonte. Acima de tudo, conforme relatado em um artigo publicado pelo CIPER Académico durante as revoltas, nossos participantes manifestaram que a raiva expressa pelos jovens ajudou os membros mais velhos da população a superar seu temor e a se juntar ao protesto. No entanto, a maioria dos participantes do grupo focal concordou que o medo voltou mais tarde com a chegada da Covid-19.

En segundo lugar, a intensidade do medo entre as diferentes classes sociais durante a revolta se viu invertida na pandemia. Durante o 18/O, a maioria dos participantes do grupo focal acreditava que o acionista retratado em uma das vinhetas deveria sentir-se ameaçado, com alguns até sugerindo que a intensidade dos protestos o teria levado a pensar em deixar o país. No meio da pandemia, no entanto, os participantes acreditavam que o alto ​​poder financeiro do acionista o colocaria em posição de maior segurança frente à ameaça do vírus, enquanto os menos abastados estariam mais vulneráveis.

Em terceiro lugar, durante a revolta, os participantes dos grupos focais apoiaram muitas das diferentes demandas feitas na época. Poucos meses depois, durante a pandemia, as preocupações das pessoas também abrangiam vários problemas, embora os sentimentos fossem mais negativos. As pessoas estavam naturalmente preocupadas em contrair o vírus, mas também estavam preocupadas em perder seus empregos, renda e status. Os trabalhadores menos abastados foram os mais afetados, diante da repentina preocupação de trazer para casa dinheiro suficiente para "pagar pela alimentação e manutenção da família".

As pessoas começaram a pesar a necessidade de sair para trabalhar com o medo de sair de casa, e o comportamento rotineiro anterior tornou-se um enigma diário. Ao analisar a vinheta do taxista, um homem fortemente exposto ao vírus através de seus passageiros, uma trabalhadora sazonal de Puerto Montt afirmou: “Chego em casa com a angústia de poder pegar o vírus de qualquer um”. O dilema entre a sobrevivência financeira e ser um foco de contágio na família foi uma das maiores fontes de angústia e culpa expressa pelos participantes.

A ameaça do coronavírus levou à falta de certeza até mesmo sobre o futuro imediato, em oposição às projeções de longo prazo que antecederam o 18/O

Finalmente, a incerteza durante a pandemia mudou fortemente a percepção do futuro. Enquanto os protestos sociais abriram a esperança de um futuro melhor para muitos, expressos em aspirações compartilhadas, estas não apareceram nas conversas entre as pessoas dos grupos durante a epidemia. A ameaça do coronavírus levou à falta de certeza até mesmo sobre o futuro imediato, em termos de vida diária e de subsistência no futuro, em oposição às projeções de longo prazo que antecederam o 18/O.

A pandemia erodiu as expectativas e projeções das pessoas para o futuro, particularmente a ideia profundamente enraizada nas últimas décadas de que o futuro traria uma situação melhor para elas e seus filhos. Além do sentimento de uma catástrofe imposta a todos, os menos abastados se viram, mais uma vez, em uma posição de poucas perspectivas, divididos entre o otimismo religioso de que Deus proverá e o medo de que as coisas piorem.

Oferecendo uma perspectiva da classe média sobre presente e o futuro, um arquiteto de Puerto Montt usou a metáfora da roda do tempo parando: “Com o coronavírus, a roda parou de girar e tudo parou, mas o problema é que, na realidade, o sistema continua girando e é só você que para. Compromissos não podem mais ser cumpridos, dívidas não podem mais ser pagas, e você começa a ter dificuldade, sabendo do enorme risco de perder tudo aquilo que você trabalhou tão duro para construir. Isso causa grande ansiedade."

"Auto-reinvenção"

Os participantes dos grupos focais expressaram repetidamente o medo de perder seus empregos e enfrentar o desemprego durante a pandemia, dada a dificuldade de encontrar trabalho. Várias pessoas já haviam perdido seus empregos quando os grupos focais foram realizados. A maioria eram mulheres, as primeiras a serem despedidas ou a voltarem para casa para cuidar de crianças e pessoas dependentes, fruto do desigual sistema de cuidado do Chile. Uma participante, uma ex-secretária de uma empresa em Puerto Montt, agora vivendo sozinha e com seguro desemprego, decidiu não se aventurar no que ela via como uma busca infrutífera por trabalho. Vários outros participantes relataram estar em uma situação semelhante.

O termo "auto-reinvenção" surgiu em muitas das conversas dos grupos de discussão, refletindo um grau de otimismo e esperança diante da incerteza do emprego. Os participantes falaram em sobreviver através de fontes alternativas e inovadoras de renda: um eletricista começou a oferecer serviços de carpintaria, uma mulher desempregada sugeriu vender "pão ou algo que possa ser feito em casa", um motorista de táxi começou a fazer entregas para complementar a queda do número de passageiros, e uma dona de casa cujo marido havia perdido seu emprego decidiu fazer máscaras faciais e correr o risco de exposição ao vírus a fim de vender seus produtos pela cidade.

Conseguimos identificar dois significados principais da noção de "auto-reinvenção": um relacionado à vida durante a pandemia, e o outro às percepções do futuro. Neste último, período mais longo, a "auto-reinvenção" foi vista como "começar do zero" diante do risco de perder algum ou todo o status econômico adquirido antes da crise.

As pessoas de menos recursos viram a possibilidade de escassez do essencial para a sobrevivência no futuro como uma expectativa "sombria, triste e angustiante". Elas se viram "perdendo a esperança de vez em quando" diante da improbabilidade de receber créditos ao consumo, anteriormente fácil de obter, ou de receber qualquer ajuda do Estado, o que os grupos descreveram como quase inexistente. Para aqueles que nos últimos anos haviam conseguido ascender às classes médias da sociedade chilena, a perspectiva de ter que aceitar uma redução na renda era uma perspectiva triste que significava "voltar a ser pobre".

Como disse outro arquiteto de Puerto Montt: "Ficaremos sem nada! Vamos acabar realmente pobres... Vai ser terrível". Outros participantes de classe média também expressaram um medo intenso da possibilidade de ter que mandar seus filhos para escolas mais baratas ou até mesmo públicas. Como a qualidade da educação pública no Chile é baixa e a diferença entre as escolas públicas e privadas é significativa, para alguns participantes de grupos focais, a perspective de ter que tomar essa decisão despertou intensa ansiedade pela perda de status associada à ela.

A ideia dominante nos grupos focais durante a pandemia foi que "todos" estavam diante da mesma ameaça de adoecer, independentemente da classe social

Para outros, a crença no poder da auto-reinvenção despertou um otimismo contido sobre a possibilidade de poder seguir em frente durante a emergência, enquanto alguns se viram atolados no desespero. Esses sentimentos contrastam com a esperança coletiva relatada durante a revolta de 18/0 e, acima de tudo, a confiança de que "se conseguirmos algo, eu também me beneficiarei". Essa esperança coletiva marcou um afastamento da "normalidade" pré-crise quando as atitudes concentravam-se no mérito individual, embora acompanhadas de críticas à chamada meritocracia. Que efeito, então, estes novos sentimentos em relação à auto-reinvenção – por mais transitórios que sejam – têm sobre a motivação mais duradoura das pessoas para lutar contra a desigualdade e em direção ao bem comum?

Identidade coletiva durante a pandemia

Durante a revolta, o termo "o povo" foi usado extensivamente pelos participantes dos grupos focais, particularmente aqueles das classes sociais mas baixas, em referência a uma identidade compartilhada. Essa realidade contrastou com as primeiras reuniões realizadas durante o período anterior a 18/O, quando não havia evidência de nenhuma convenção de nomenclatura homogênea. O que aconteceu com essa identidade durante a pandemia? Sua longevidade poderia estar ligada ao significado atribuído por Butler (2017) à expressão nosotros el pueblo (nós o povo), que procura evocar a existência de um grupo social plural e transmitir o valor da igualdade em um contexto caracterizado por uma completa ausência da mesma.

Uma participante, uma repositora de mercado de 25 anos do distrito de Quilicura, no norte de Santiago, participou de todas as três sessões do nosso grupo de discussão. Durante a reunião realizada uma semana antes da revolta, ela se referia a "de onde nós somos, da Plaza Italia para baixo" como um aspecto determinante de sua identidade, com base na conhecida segregação socioeconômica entre áreas da cidade de Santiago.

Quando o grupo se reuniu novamente um mês depois de 18/O, ela falou sobre "os de lá de cima" em referência à outra metade da dicotomia social. Em relação aqueles "da Plaza Italia para baixo", ela disse pertencer "ao mesmo povo ao qual todos nós pertencemos, todos somos humildes". Aqui ela faz clara referência a um "nós", a um sentimento de pertencer a um amplo coletivo que não era aparente antes da revolta. Alguns meses depois, em meio à pandemia, ao comparar a vinheta do acionista com duas outras, a empregada doméstica e o motorista de táxi, ela afirmou: "Estes dois pertencem mais ao povo, se sacrificam mais... ele [o acionista] tem mais opções... porque o dinheiro ajuda muito, é claro".

Sua visão de que o acionista ocupa uma posição de vantagem financeira para enfrentar a emergência da Covid-19 ilustra seu foco contínuo de ele estar mais afastado do povo, uma identidade aplicada e compartilhada por aqueles de meios limitados. Em resumo, sua percepção da identidade do povo permaneceu a mesma durante as três sessões do grupo de foco, e aumentou após 18/O, apesar da mudança das circunstâncias.

Entretanto, ao contrário da repositora de mercado, os outros participantes dos grupos focais se referiram repetidamente ao povo durante a revolta, mas deixaram de fazê-lo à medida que a pandemia se instalava. Essa atitude pode ser explicada pelo fato de que a expressão tem conotações emocionais e se refere a uma noção de valor social que vai além de uma mera categoria sócio-econômica. O fato de que o termo o povo caiu fora de uso durante a pandemia serve para ilustrar a redução da intensidade das emoções associadas que ocorreram entre a revolta e a pandemia, assim como uma diminuição da motivação para contribuir para a ação coletiva.

Em contraste, a ideia dominante nos grupos focais durante a pandemia foi que "todos" estavam diante da mesma ameaça de adoecer, independentemente do status social, apontando para a noção de igualdade no nível humano. Apesar disso, porém, os participantes de classes mais baixas em particular enfatizaram que, embora o nível de risco de infecção fosse o mesmo para "todos", incluindo o acionista, este último se encontrava em uma situação incomparável. "Se ele adoecer, irá a uma clínica privada e eles o tratarão rapidamente", apontou uma dona de casa de San Ramón, no sul de Santiago.

Outro membro do grupo acrescentou que uma pessoa menos abastada não teria outra opção a não ser procurar tratamento dentro do sistema de saúde pública "já sobrecarregado". Outros participantes de baixa renda afirmaram que os recursos financeiros do acionista lhe permitiriam permanecer em casa, que ele não precisaria sair de casa para trabalhar, que seu isolamento seria mais "confortável" e que ele desfrutaria da oportunidade de "passar mais tempo com sua família".

A coletividade está muito distante da mentalidade "salve-se quem puder" que prevalecia antes da revolta entre um povo que se sentia à mercê do que é comumente visto como uma sociedade neoliberal

Em referência a esta posição de segurança financeira, uma faxineira de Puerto Montt concluiu: "Com o que ele tem que se preocupar?" Alguns até suspeitavam que "ele está aproveitando" a situação para servir seus próprios interesses econômicos egoístas à custa de todos os outros afetados, pondo em marcha planos de negócios a fim de lucrar com a pandemia. Nesse sentido, embora "todos" estejam enfrentando a ameaça do vírus, inclusive o acionista, este último foi considerado em uma posição de privilégio em outros aspectos. Assim, o significado do termo o povo permaneceu o mesmo que durante a revolta, na medida em que excluiu este personagem, especialmente do ponto de vista dos participantes de grupos focais de baixa renda que mantiveram a existência de identidades diferenciadas e opostas mesmo com a ameaça universal representada pela pandemia.

Sentimento prático de pertencer a um coletivo

Apesar das distinções que formaram a base de uma percepção de distância entre setores sociais, os membros dos nossos grupos focais relataram o surgimento de muitas e diversas instâncias de ação social durante a pandemia, o que pode ser visto mais como um peso prático do que político para a noção de uma identidade compartilhada. Estas incluíram trocas e redes comerciais entre vizinhos, fornecimento de alimentos aos mais necessitados e iniciativas de vigilância e segurança dos vizinhos lançadas em resposta aos temores de aumento da criminalidade. Em geral, os participantes relataram práticas envolvendo um senso de comunidade local muito mais intenso não apenas do que em tempos "normais", mas até mesmo do que durante os eventos de 18/O, apesar do medo generalizado da criminalidade associada.

A isso se acrescentou a consciência coletiva da necessidade de tomar cuidado durante a pandemia, incluindo a noção de responsabilidade compartilhada. Os participantes da cidade de Puerto Montt indicaram que antes de entrar em um táxi compartilhado, os residentes tomariam a precaução de usar uma máscara facial, usar luvas e lavar as mãos. Entretanto, "nem todos são tão cuidadosos", reclamou uma dona de casa da cidade, e seus sentimentos foram ecoados por outros participantes, que tinham uma visão fraca da não conformidade com os padrões de higiene.

Segundo nossos participantes, a atmosfera geral de cooperação constituiu uma resposta sem precedentes e imediata a questões de saúde e subsistência, e embora tais ações sem dúvida devam evaporar-se junto com a pandemia, é de se esperar que a natureza pragmática e não política dessa conexão social perdure. Tal sentido real e prático de pertencer a um coletivo está muito distante da mentalidade "salve-se quem puder" que prevalecia antes da revolta entre um povo que se sentia à mercê do que é comumente visto como uma sociedade neoliberal.


Agradecimentos

Este trabalho contou com o apoio da Agência Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (ANID), através dos projetos Fondecyt Regular N°1190436 y CONICYT/FONDAP/15130009.

Notas e referências

Butler, Judith (2017). Cuerpos aliados y lucha política. Hacia una teoría performativa de la asamblea. Barcelona: Paidós.

Elster, Jon (2010). La explicación del comportamiento social. Más tuercas y tornillos para las ciencias sociales. Barcelona: Gedisa.

Luna, Juan Pablo (2020). Anomia ABC1. CIPER Académico 30.06.2020

Mac-Clure, Oscar; Barozet, Emmanuelle; Conejeros, José y Jordana, Claudia (2020). Escuchando a los chilenos en medio del estallido: Liberación emocional, reflexividad y el regreso de la palabra “pueblo”. CIPER Académico 2.03.2020


Este artigo foi publicado anteriormente no CIPER Académico e republicado com permissão. Leia o original aqui.

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