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Esperança, polêmica, preocupação: um movimentado fim de semana eleitoral

Na Colômbia, candidatos progressistas infligiram um duro golpe ao uribismo. Os argentinos selaram sua rejeição ao neoliberalismo de Macri. Os uruguaios retornam às urnas em novembro, e a direita pode acabar com o domínio da Frente Ampla. A Bolívia permanece em alerta. Español

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28 October 2019
Alberto Fernández (R) e a ex-presidente argentina Cristina Fernández comemoram após vencer as eleições presidenciais em Buenos Aires, Argentina, em 27 de outubro de 2019.
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Ni Ruijie/Xinhua News Agency/PA Images. Todos os direitos reservados.

Colômbia: progressistas assumem o poder e infligem um forte golpe ao uribismo

Uma onda conservadora está passando pela América Latina - e pelo mundo. Mas, como para toda ação há uma reação, o progressismo está mostrando a força que tem.

No domingo (27), a Colômbia mostrou que pode representar um forte alicerce de esquerda na região, quando mais de 1 milhão de cidadãos de Bogotá escolheram uma mulher, lésbica e de origem humilde, como prefeita da capital colombiana.

A ex-senadora Claudia López, do partido progressista Alianza Verde (Aliança Verde), venceu as eleições com 35,21% dos votos, contra 32,48% de Carlos Fernando Galán, filho do candidato presidencial morto em 1989. É a primeira vez que a população escolhe uma mulher para o cargo de prefeito de Bogotá, considerado a segunda posição política mais importante da Colômbia.

"Hoje, Bogotá escolheu pela primeira vez a filha de uma família como a sua, de famílias feitas a pulso, que com amor e tenacidade conseguem superar todas as dificuldades dia após dia", disse López, filha de uma professora de escola primária.

Os eleitores de Medellín, cidade do ex-presidente Álvaro Uribe, também surpreenderam no domingo. Daniel Quintero, que concorreu como independente, conquistou a prefeitura da segunda maior cidade do país, sobre o aliado de Uribe, o senador Alfredo Ramos, dando talvez o golpe mais duro ao ex-presidente e seu movimento.

Os resultados das eleições locais são fundamentais porque oferecem um vislumbre do que a Colômbia espera em 2022. "Esta eleição é um golpe para o uribismo, não há dúvida", diz Sergio Guzmán, diretor da consultoria Colombia Risk Analysis.

Argentina: o retorno do kirchnerismo e da esquerda

Os argentinos formalizaram sua rejeição às políticas de austeridade de Mauricio Macri. No domingo (27), os candidatos do Frente de Todos, Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, comemoraram juntos a vitória das eleições presidenciais. A coalizão venceu no primeiro turno com mais de 47,80% dos votos sobre o atual presidente, que alcançou 40,69%.

"Obrigado pelo compromisso que vocês demonstrou em construir uma Argentina humanitária mais solidária que defenda a saúde pública, a educação pública, uma Argentina que privilegie quem produz e quem trabalha", disse Fernández.

A coalizão Frente de Todos também saiu com a vitória em Buenos Aires, onde o ex-ministro da Economia do governo de Cristina Fernández de Kirchner, Axel Kicillof, foi eleito governador da província.

"Houve um triunfo categórico tanto na província quanto a nível nacional; é por isso que estou com o presidente eleito e a vice-presidente eleita. A unidade do campo popular foi crucial", disse Kicillof, do bunker da coalizão ao lado de Fernández e Kirchner.

As eleições são um golpe para o neoliberalismo de Macri e da América do Sul. Em seus quase quatro anos de governo, Macri termina seu primeiro mandato com essencialmente todos os índices em piores condições. A economia argentina está entrando em colapso. A inflação neste ano é de 55%, o desemprego atinge 10,6%, a pobreza aumentou, bilhões de dólares deixaram o país, o peso despencou e a dívida externa chega a US$ 100 bilhões .

O candidato à presidência Mauricio Macri do partido 'Together for Change' vota durante as eleições presidenciais na Argentina em 27 de outubro de 2019 em Buenos Aires, Argentina. | Matías Baglietto/NurPhoto/PA Images. Todos os direitos reservados.

Uruguai: eleição disputada irá para o segundo turno

A Frente Ampla (FA) do atual presidente disputará a presidência com a oposição, o Partido Nacional (PN), em 24 de novembro.

Daniel Martínez, da FA no poder, terminou com 39,2% dos votos, enquanto Luis Lacalle Pou do PN, partido de centro-direita, obteve 28,6%. Para ganhar no primeiro turno, um candidato precisa conquistar 50% dos votos mais um.

Esse cenário significa que Martínez e a FA, partido do popular ex-presidente José Mujica, estarão sozinhos no próximo mês. Ernesto Talvi (Partido Colorado) é o parceiro político mais cobiçado das futuras coalizões, tanto no Executivo quanto no Parlamento. Já no domingo, Talvi, que ficou em terceiro com 12,3% dos votos, anunciou que apoiará Lacalle no segundo turno.

Lacalle e o PN também contam com o apoio dos ultra-direitistas do Cabildo Aberto, cujo candidato Guido Manini Ríos obteve quase 11% dos votos. Não é necessário ser especialista em matemática para ver que os números são más notícias para Martínez e o partido no poder. É muito provável que o país mais progressista da América Latina opte pela estratégia neoliberal.

Apoiadores do candidato presidencial ao Partido Nacional, Luis Lacalle Pou durante seu discurso. | SOPA Images/SIPA USA/PA Images. Todos os direitos reservados.

Bolívia: mais um mandato para Evo?

Mais de uma semana após as eleições presidenciais, a Bolívia permanece em estado de tensão devido aos polêmicos resultados. Nesta sexta-feira (25), o Supremo Tribunal do país anunciou a vitória oficial de Evo Morales.

Segundo números oficiais, Evo, do partido Movimento para o Socialismo, obteve 47,08% dos votos, enquanto o ex-presidente Carlos Mesa, da Comunidade Cidadã, obteve 36,51%.

Na Bolívia, para vencer no primeiro turno, um candidato deve obter 50% dos votos mais um, ou 40% dos votos e uma diferença de 10 pontos sobre o segundo candidato mais votado. Foi por isso que Evo venceu as eleições com uma diferença mínima, o que levou a denúncias de fraude.

Manifestantes tomaram as ruas de várias cidades em meio a alegações de fraude para pedir por um segundo turno.

Em seu Twitter oficial, Mesa denunciou a vitória de Evo como uma fraude e pede a seus "compatriotas" que continuem com as mobilizações "pacíficas e democráticas". Ele também diz que a ação de Evo e do governo não surpreende ninguém. “O que aconteceu minutos atrás é algo que todos esperávamos. Conhecemos a teimosia do presidente e do governo e conhecemos nossa força para continuar".

Mas Evo ainda tem muito poder e apoio social. De fato, uma poderosa união de camponeses anunciou um bloqueio de estradas indefinidos para mostrar seu apoio ao presidente e ao "voto indígena".

“Nós, o Pacto de Unidade e a CSUTCB (Confederação Única dos Trabalhadores Camponeses), decidimos estabelecer um bloqueio nacional... em rejeição ao golpe de estado, em defesa da democracia e em defesa do voto indígena”, disse o líder Jacinto Herrera.

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