democraciaAbierta

Jorge Sharp

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Avina DemocraciaAbierta
14 September 2017

Inspirando-se no evento "Cidades sem medo" ("Fearless Cities") deste ano, a Fundación Avina e o Democracia Abierta estabeleceram uma colaboração especial para explorar algumas das experiências políticas mais interessantes que estão emergendo na América Latina.

Concersar com líderes relevantes neste campo, diretamente envolvidos na ação da inovação política a nível local, nos deu a oportunidade de buscar respostas para quatro questões principais que afetam de forma diferente, porém transversal, todos esses projetos: a) Visão de inovação; b) contexto político nacional e limitações do poder local; c) Influência do contexto político internacional e d) A questão da liderança.

Nesta página, Jorge Sharp aborda essas questões. Jorge Sharp é um advogado chileno e faz parte do Movimento Autônomo. Atualmente é prefeito de Valparaíso, Chile.

TEMA 1: VISÃO DA INOVAÇÃO

O processo político que começamos em Valparaíso é, de certa forma, disruptivo. E nesse sentido, também é inovador. Em que medida isso significa uma ruptura de algo? Ou é simplesmente uma evolução de algo que já estava em andamento e nós simplesmente catalisamos isso? Eu acho que o processo tem algo de ambos os componentes, alguma continuidade e alguma mudança.

O que aconteceu em Valparaíso com o triunfo do Movimento Valparaíso Cidadão é, por um lado, o ponto culminante de uma longa jornada de luta pela cidade, de luta pela educação, de luta pela igualdade de gênero, de lutas sociais em geral centradas no questionamento do modelo econômico chileno, que se expressa na cidade de Valparaíso com toda sua dureza.

Estamos falando de pelo menos uma década de maturação constante. Mas também é uma mudança, já que conseguimos entrar no cenário político a partir de uma nova prática política, diferente, como foi a "primária cidadã", que era o instrumento através do qual os cidadãos definiram quem eles queriam que fosse o candidato que representasse toda essa gama de organizações, para competir contra os partidos tradicionalistas.

Éramos cinco candidatos, e cada candidato tinha um projeto específico. As pessoas votaram por nós, e isso foi extremamente disruptivo, porque não era foi uma primária como um exercício legal e quase simbólico de votar: não. Era uma prática política, autogerida, sem a intervenção do Estado, com todos os padrões de transparência. Então, acho que, neste caso, a inovação é a combinação da continuidade de um processo, que vem de muito tempo, com uma dinâmica de mudança, que acaba materializando.

 

TEMA 2: CONTEXTO POLÍTICO NACIONAL E IMITAÇÕES DO PODER LOCAL

Acho que é um erro pensar que o problema das nossas cidades é apenas o de outras cidades, mas sim que é um problema de caráter nacional, mesmo de caráter continental. Para não darmos as costas às correlações da força entre esses níveis políticos, uma maneira de abordar o problema da questão nacional, uma maneira de abordar o problema do continental, é precisamente a construção do poder local em um determinado território. Portanto, esta é uma maneira de desafiar, entrar, propor e influenciar essas dinâmicas nacionais.

No Chile, isso se expressa da seguinte forma: o processo de Valparaíso, nosso triunfo, ajudou a catalisar o que está acontecendo hoje na política nacional, que é a constituição de um novo campo político, chamado Frente Amplio. Este era então um processo político local inovador, com aspectos de continuidade e aspectos da mudança, que tem um impacto a nível nacional.

 

TEMA 4: A QUESTÃO DA LIDERANÇA

Todo processo político, em qualquer dos seus planos, locais, nacionais, continentais, tem certos rostos: mulheres ou homens que devem desempenhar certas funções, como a de liderança. Esse não é o problema, o problema é quando essa liderança é construída de forma remota e distante do processo político coletivo que a impulsiona.

A liderança deve sempre estar conectada, com os dois pés bem colocados no chão, bem enraizados no processo coletivo do qual ele emerge e do qual faz parte, do qual deriva sua força. Quando isso se dissocia, temos problemas, como o messianismo. Se não os mantemos fortemente enraizados no coletivo, nossos projetos políticos de mudança enfraquecem e os nossos oponentes se tornam mais fácil de flanquear. Isso é para mim o ponto central: que essas lideranças não surjam das imposições de uma cúpula, mas do que as pessoas definam, seja através de uma primária, através de uma assembleia, ou através de uma luta social concreta, que catapulta um líder social. A liderança que queremos é a liderança que é construída a partir do coletivo e não a que é determinada entre quatro paredes.

Mas existe uma ameaça, que é a fragilidade nessas lideranças que não têm um dispositivo por trás. Ao derrubar aquele que está acima de tudo, eles derrubam tudo. É por isso que é urgente fortalecer, ao invés do aparelho político, o processo coletivo que impulsiona essa liderança. Sem isso, os líderes são facilmente licenciados.

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