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O governo colombiano viola a liberdade de imprensa?

A International Women's Media Foundation alega que uma de suas jornalistas foi impedida de entrar na Colômbia para reportar. As autoridades negam acusações de deportação. Español English

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3 October 2019
Centro Comunitário da Providencia Divina, em Cúcuta, Colômbia, em 11 de fevereiro de 2019. Serve 6.000 refeições por dia gratuitamente para os venezuelanos que chegam à Colômbia.

Buscar a verdade nem sempre é bem-vindo por governos que têm algo a esconder. Este parece ser o caso do governo colombiano que recentemente negou a entrada de Alejandra Rajal, uma jornalista mexicana.

A International Women's Media Foundation (IWMF) emitiu a seguinte declaração, que reproduzimos aqui na íntegra:

"Em 1º de outubro de 2019, a jornalista mexicana Alejandra Rajal foi impedida de entrar na Colômbia durante uma viagem de reportagem pelo programa Adelante da International Women's Media Foundation (IWMF). A IWMF está profundamente perturbada com esta violação da liberdade de imprensa e insta o governo colombiano a permitir que jornalistas concluam seu trabalho sem interferência.

Ao chegar à Colômbia, Rajal foi retirada dos procedimentos de imigração para ser questionada. As autoridades detiveram Rajal por aproximadamente 11 horas, período durante o qual seu telefone celular - contendo informações sobre seus projetos de reportagem - foi capturado e revistado sem sua permissão. As autoridades colombianas então apresentaram alegações infundadas contra Rajal, acusando-a de entrar no país sem recursos suficientes e mentindo sobre suas razões para entrar no país.

Além dessas táticas de intimidação, as autoridades revistaram seus pertences, exibiram vídeos ameaçadores, limitaram suas comunicações e não deram acesso a alimentos. Durante esse período, a IWMF esteve em comunicação direta com representantes da Migración Colombia, a agência de imigração do país, fornecendo documentação que corroboram as declarações de Rajal às autoridades relevantes.

Apesar de tudo, Rajal foi impedida de entrar na Colômbia e enviada de volta ao México.

Rajal foi escolhida entre 12 jornalistas mulheres em um processo de seleção altamente competitivo para esta viagem de reportagem à Colômbia, com custos completamente cobertos. Atualmente em seu quinto ano, o programa de bolsas Adelante da IWMF é uma iniciativa estabelecida na América Latina, financiada pela Fundação Howard G. Buffett. Até o momento, Adelante realizou cinco viagens de reportagem à Colômbia e 23 por toda a América Latina; no entanto, é a primeira e única vez que uma selecionada enfrenta essas consequências.

Intimidar e negar a entrada de uma jornalista é instilar trauma, inibir reportagens vitais e impedir futuras oportunidades de trabalho. Os 30 anos de história da IWMF incluem viagens de jornalistas a alguns dos lugares mais perigosos e desafiadores do mundo, mas a experiência de Rajal é única. Essa clara violação da liberdade de imprensa é profundamente preocupante e um lembrete sombrio dos contínuos desafios que as mulheres jornalistas enfrentam simplesmente por buscar a verdade”.

Intimidar e negar a entrada de uma jornalista é instilar trauma, inibir reportagens vitais e impedir futuras oportunidades de trabalho

No entanto, de acordo com as autoridades de migração, conversando com a agência de notícias espanhola EFE, Rajal mentiu durante a entrevista na imigração, declarando que estava vindo ao país para turismo e não para trabalho, como esclareceu mais tarde. Supostamente, ela depois disse que estava indo para Medellín, onde o Festival Gabo está sendo realizado, mas na realidade ela também planejava ir a Cucuta, o que Rajal nega veementemente. "Não é que nos pareça suspeito entrar no país por razões de turismo. No entanto, existem regras estabelecidas para quem entra no território nacional", afirmou a agência de imigração.

Questionada sobre a detenção de Rajal, Migración disse à EFE que "ela não estava detida", mas mantida em uma "sala transitória" enquanto aguardava um voo de volta ao México, seguindo estritamente os protocolos estabelecidos.

"Não é verdade que a jornalista estava incomunicável. A prova disso é que ela ligou para o coordenador ou o gerente de produção e contou o que estava acontecendo", concluiu Migración.

Em suma, essas são desculpas claramente muito fracas para uma atitude intimidadora e abusiva das autoridades de imigração que é intolerável. É muito lamentável que Migración tenha exagerado nas supostas contradições de Rajal durante entrevista na fronteira e, como consequência, seu direito de fazer seu trabalho como jornalista foi violado.

A Colômbia recebe esta semana o Gabo Festival, um dos mais prestigiados fóruns latino-americanos de jornalismo e liberdade de expressão, e incidentes como esse dizem muito sobre contradições internas do país, com um governo que parece não acreditar em tal liberdade.

Há muita coisa acontecendo na Colômbia que precisa ser relatada e não é impedindo a entrada de jornalistas da IWMF e violando seus direitos que esse trabalho urgente será realizado.

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