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#VivasNosQueremos: Mexicanas protestam contra a onda de feminicídio e violência

As mulheres mexicanas saem às ruas para protestar em meio a sequestros e feminicídios. Español English.

Giovanna Salazar
8 March 2019
Foto cortesía de Global Voices. Todos los derechos reservados.
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Foto cortesia de Global Voices. Todos os direitos reservados.

Os hashtags #VivasNosQueremos, #NiUnaMás (Nem Uma Mais), #NoEstamosSolas (Não Estamos Sozinhas) inundaram mais uma vez as redes sociais e as ruas mexicanas para protestar contra as alarmantes cifras de violência contra as mulheres no país, que segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos, chegaram a uma média de quase nove assassinatos de mulheres por dia en 2018.

Como parte da crescente mobilização, umas 4 mil personas foram às ruas na Cidade do México no sábado, dia 2 de fevereiro. A marcha começou no Monumento à Mãe e continuou até Zócalo, repetindo as demandas do protesto: que parem os feminicídios e que seja garantida a segurança das mulheres no transporte público.

"El País reveló que 153 personas, en su mayoría mujeres, habían sido secuestradas en el metro de Ciudad de México en los últimos cuatro años"

Antes da manifestação, uma investigação do jornal revelou que 153 pessoas, a maioria mulheres, foram sequestradas no metrô da Cidade do México nos últimos quatro anos.

Jer Clarke, membro da rede Global Voices, esteve presente e compartilhou este vídeo:

Apenas um dia antes dessa marcha, na sexta-feira, 1º de fevereiro, foi realizado a “Rodad pela Vida e Liberdade das Mulheres” na Cidade do México e em 13 outras cidades do país. Durante o comício, várias mulheres levaram suas bicicletas sob os slogans #LaNocheEsNuestra (A Noite É Nossa) e #LaCalleEsNuestra (A Rua É Nossa).

O objetivo é recuperar o espaço público para as mulheres e desafiar a violência que as impede. O chamado dizia:

"Nos unimos à demanda nacional! Retomemos as ruas, aos espaços, as noites; para lembrar-nos a nós mesmas e a eles que podemos".

Algumas das imagens da concentração podem ser vistas na página do Twitter Ruido en la Red:

“Chegou a minha vez”

O notável aumento de casos de violência contra mulheres no transporte público tornou-se visível a partir de janeiro de 2019, quando foram compartilhados nas redes sociais vários depoimentos de tentativas de sequestro nos metrôs da capital.

Os depoimentos explicam as diferentes maneiras em que mulheres podem ser agredidas e sequestradas devido, em parte, à indiferença dos transeuntes. Em um destes depoimentos públicos, Eunice Alonso descreve sua experiência:

"Bem, chegou a minha vez. Há um tempo atrás, eu estava na estação de metrô Boulevard, estava esperando o metrô chegar e um jovem entre 20 e 25 anos chegou muito perto de mim e senti que senti que pôs algo na minha costela. [...] No começo eu pensei que ele ia me assaltar, mas ele disse: 'você vai sair comigo e vai ver uma van branca. Você vai entrar e se alguém perguntar alguma coisa, você vai sizer que é o seu Uber' [...] fiquei paralisada e começou a me dar um ataque de ansiedade, então comecei a chorar, e uma senhora (que não tive chance de perguntar o nome) me disse: você está bem? Eu não consegui responder e ela entendeu o que estava acontecendo e começou a gritar: 'fogo, fogo.' As pessoas começaram a olhar e um policial se aproximou; foi assim que o jovem me soltou e fugiu".

Precisamente para impedir que incidentes como estes passem despercebidos, ativistas e coletivos iniciaram esforços para tornar o problema visível e dar dicas de autodefesa e segurança. Algumas das estratégias compartilhadas sugerem o uso de palavras-chave como “fogo” ou “terremoto” para pedir ajuda, assim como a pessoa que ajudou Alonso gritando “fogo!”, pois teme-se que expor o atacante diretamente possa desencadear uma reação violenta.

Um grupo de feministas ativistas, membros da iniciativa de jornalismo de dados Serendipia DATA, criou uma base de dados colaborativa para mapear os lugares e as circunstâncias dos casos registrados.

Os depoimentos foram coletados através de um formulário que registra a data, hora e detalhes do incidente.

Um esforço similar foi impulsado pelo canal de TV pela Internet RompeViento, com base no registro de incidente feito por uma usuária do Facebook.

Propostas

O governo da Cidade do México reagiu à onda de denúncias nas redes sociais e se reuniu con vítimas, familiares e grupos da sociedade civil (incluindo a Serendipia DATA). O objetivo era elaborar um plano para combater a violência e a insegurança.

Entre as medidas propostas estão facilitar unidades móveis nas quais as agressões podem ser denunciadas, proporcionar maior iluminação nas proximidades das estações de metrô e fortalecer a vigilância.

No entanto, as medidas propostas até agora são consideradas insuficientes.

Em um país onde mais de 90% dos crimes não são denunciados devido à falta de confiança nas autoridades, facilitar maneiras de denunciar esses casos é importante, mas não suficiente. Muitas vítimas têm medo de represálias ou até se recusam a denunciar porque sabem que seu testemunho será questionado pelas autoridades e que terão que reviver o trauma repetindo-o várias vezes, sem nenhuma garantia de resposta.

Cabe ressaltar que, como resultado de todos os esforços dos indivíduos para tornar o problema visível, disparou-se o número de denúncias formais de mulheres que sofreram agressões no Sistema de Transporte Coletivo e, graças a isso, foi possível criar um perfil das vítimas.

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