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EUA pagam 775 dólares por pessoa por dia para manter crianças em jaulas

Alguns parlamentares do Partido Democrata e candidatos presidenciais dos Estados Unidos tentaram visitar um campo de detenção de imigrantes privados para crianças na quarta-feira, 26 de junho de 2019. O local em Homestead, na Flórida, é um dos listados em instalações superlotadas e perigosamente insalubres em todo o país. Depois de negada suas entradas, os oficiais usaram a oportunidade para entrevistar os manifestantes que solicitavam o fechamento do campo. Español English

Danica Jorden
8 Julho 2019, 12.01
Criança detida em uma jaula nos Estados Unidos.

Na véspera, a Câmara dos Deputados havia aprovado US$ 4,5 bilhões em financiamento de emergência para abrigar refugiados e imigrantes, e um dia depois, o Senado aprovou uma solicitação similar de US$ 4,6 bilhões. A proposta da Câmara destina a maior parte do dinheiro para o cuidado de crianças migrantes e refugiadas, que às vezes estão desacompanhadas, mas geralmente são separadas de suas famílias quando se apresentam ou são presas pela Patrulha de Fronteira dos EUA. O financiamento contém estipulações sobre o nível de cuidado que o governo deve oferecer.

Mas o governo federal já paga à corporação Caliburn International US$ 775 por dia para cada uma das 3.200 crianças detidas em Homestead, totalizando surpreendentes US$ 2,5 milhões por dia. A corporação também administra outros três centros no Texas.

Enquanto isso, centenas de outras crianças estão definhando em ônibus que levam a lugar nenhum, partindo e retornando a um campo de detenção público em Clint, Texas, depois que advogados foram à imprensa para criticar as condições hediondas do acampamento. Os advogados descreveram ter entrevistado crianças com roupas sujas e cabelos emaranhados que disseram estar dormindo direto no concreto; desnutridas, sujas, acometidas por doenças e sujeitas a punição irracional. O Escritório de Reassentamento de Refugiados (ORR) também gasta os mesmos US$ 775 por criança por dia em Clint.

Segundo disse um dos advogados, Warren Binford, 86% dessas crianças têm pais ou outros responsáveis nos Estados Unidos e, portanto, não precisam estar no centro, embora já estejam detidos por períodos que vão de três semanas a três meses. Como em Homestead, os advogados não foram autorizados a visitar as instalações.

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A senadora e candidata presidencial democrata Kamala Harris faz uma declaração para a mídia fora do Centro de Detenção de Homestead em 28 de junho de 2019 em Homestead, na Flórida.
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Foto: Jennifer King/MIami Herald/TNS/Sipa USA

Caliburn, a empresa que administra Homestead, tem poderosas conexões com o governo federal e, especialmente, com os militares dos Estados Unidos. Logo antes de assumir o cargo de chefe da Segurança Nacional (Homeland Security) e, depois, chefe de gabinete do presidente Donald Trump, o general John Kelly integrava o conselho de administração da empresa de investimentos que agora controla Caliburn. Ele retornou à diretoria de Caliburn imediatamente após sua renúncia do governo. Outro general e dois almirantes também estão na diretoria.

Em comparação, o governo federal durante a administração de Obama alugava leitos para imigrantes adultos detidos em presídios em estados como Illinois e Wisconsin a preços a partir de US$ 65 por noite. Em 2018, o Chicago Sun-Times chamou o programa - que trazia para o condado de McHenry County $95 por noite - de "vaca leiteira".

Embora os legisladores não conseguiram acesso para ver a instalação de Homestead na quarta-feira, o futuro membro da diretoria, o general Kelly, foi fotografado fazendo um percorrido do acampamento em abril em um enorme carrinho de golfe. Caliburn confirmou que ele entrou para a empresa em maio.

Os US$ 4,5 bilhões foram aprovados por deputados democratas como uma maneira de diminuir o sofrimento, com a maioria dos republicanos votando contra o financiamento porque não continha dinheiro para o muro de Trump

A menos que as condições tenham mudado significativamente em um mês, Kelly obviamente gostou do que viu: as condições que a senadora Elizabeth Warren chamou de “prisão”, onde viu crianças tristes e desatentas tendo que fazer o que ela caracterizou de marcha militar.

"Nós vemos uma imagem muito diferente", disse a diretora do Centro Nacional de Direito da Juventude, Leecia Welch, em fevereiro. "Nós vemos crianças extremamente traumatizadas, algumas das quais sentam-se à nossa frente e não conseguem parar de chorar com o que estão vivendo”.

Os US $ 4,5 bilhões foram aprovados em sua grande maioria por deputados democratas como uma maneira de diminuir o sofrimento, com a maioria dos republicanos votando contra o financiamento porque não continha dinheiro para o muro de Trump. Apenas quatro democratas votaram contra a medida, todas mulheres não-brancas. As deputadas Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib, Ayanna Pressley e Ilhan Omar emitiram um comunicado conjunto, no qual escreveram: “É absolutamente impensável considerar a possibilidade de dar mais um dólar sequer para facilitar os esforços de deportação desse presidente que abusa abertamente dos direitos humanos e que se recusa a aceitar qualquer responsabilidade pelos seus atos”.

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