Luciana Gatti olha fixamente pela janela da pequena aeronave enquanto ela decola da cidade de Santarém, Brasil, no coração da floresta amazônica oriental. Minutos após o início do voo, o avião passa por um trecho de 18 milhas de devastação ecológica quase total. Trata-se de uma colcha de retalhos de terras agrícolas, repleta de pés de milho verde-esmeralda e de terrenos recém-cortados onde antes havia floresta tropical.
"Isso é terrível. Muito triste", diz Gatti, cientista climático do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em São José dos Campos, Brasil.
Gatti faz parte de um amplo grupo de cientistas que tenta prever o futuro da floresta amazônica. Os ecossistemas terrestres do mundo absorvem juntos cerca de 30% do dióxido de carbono liberado pela queima de combustíveis fósseis; os cientistas acreditam que a maior parte disso ocorre nas florestas, e a Amazônia é de longe a maior floresta contígua do mundo.