Ao chegar ao Aeroparque Internacional Jorge Newbery, o aeroporto mais próximo do centro de Buenos Aires, apenas meia dúzia de táxis com uma atitude indolente aguardam o passageiro distraído. Negociar a tarifa até o hotel se torna uma barganha digna de Marrakech e me faz lembrar das aventuras de câmbio no mercado negro do Leste Europeu antes da queda do Muro de Berlim.
EEstamos em março de 2023 e tudo se justifica na busca pelo dólar. Um motorista tenta cobrar o dólar pela taxa de câmbio oficial, que ele coloca em 200 pesos, o outro, me fazendo entrar no carro, me diz que a taxa de câmbio negro (que chamam de dólar blue) é de 400 pesos, e há outro que, do balcão, diz que não aceitam notas de menos de US$ 100 em toda a cidade, enquanto mais longe outro fala em 700 pesos por dólar, mas diz que não tem troco. No fim, percebendo que não sou uma presa fácil, aquele que parece ser o chefe manda um de seus subordinados me levar ao Hotel Savoy por US$ 20.
Essa guerra pelo dólar, que está sendo travada em todos os lugares, se tornou uma das batalhas centrais das eleições de domingo. Javier Milei – o candidato favorito para avançar para o segundo turno, que alguns analistas dizem pode chegar à vitória até mesmo no primeiro turno – fez da dolarização da economia argentina um dos pilares da sua disruptiva campanha eleitoral.