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Brasil: revolta e esperança

O país precisa de um projeto capaz de vencer a distopia teológica e ultraliberal da salvação de cada um por si

Multidão na rua
Os brasileiros voltarão às urnas neste domingo, 30 de outubro - Alamy Stock Photo
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A história contemporânea sugere que Karl Polanyi tenha razão: os grandes avanços da internacionalização capitalista promovem grandes saltos econômicos e tecnológicos, mas ao mesmo tempo aumentam geometricamente as desigualdades na repartição da riqueza entre as nações e as classes sociais. E como consequência, no final dos grandes “ciclos de globalização”, aumenta e generaliza-se a insatisfação das grandes massas, e multiplicam-se as revoltas sociais e reações nacionalistas, ao redor do mundo.

O que ele chamou exatamente de “duplo movimento” das sociedades de mercado. Mas se isto parece ser verdade, não é verdade que estas “inflexões reativas” tenham sempre umviés progressista ou revolucionário. Pelo contrário, elasnunca foram homogêneas, e podem tomar direçõesradicalmente opostas, sendo impossível deduzir teoricamente e prever de antemão a orientação ideológica e o desdobramento concreto que tomará cada uma destas revoltas, e destas explosões nacionalistas.

Basta olhar para o que aconteceu nas primeiras décadas do século XX, quando as grandes massas saíram às ruas de toda a Europa, como reação contra o aumento da desigualdade e da miséria que cresceram à sombra da acelerada internacionalização capitalista das últimas décadas do século XIX, ao que se somaram as catástrofes sociais provocadas pela Primeira Guerra Mundial, pela Gripe Espanhola, e pela crise financeira e econômica que começou no final dos anos 20 e se prolongou até o inícioda Segunda Guerra Mundial.