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A crise da Covid-19 nas prisões brasileiras: pandêmica ou necropolítica?

O quadro atual nos presídios pode ser lido como a continuação da plataforma de campanha de Bolsonaro — a da necropolítica, na qual o Estado decide quem vive e, sobretudo, quem morre.

A crise da Covid-19 nas prisões brasileiras: pandêmica ou necropolítica?
Britta Kollenbroich/DPA/PA Images
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Enquanto o Brasil consolida-se na infame posição de epicentro global da pandemia do coronavírus, pouco se discute sobre um dos segmentos mais afetados da população: o de presos, ou, no jargão de direitos humanos, pessoas privadas de liberdade.

Em meio a crise da Covid-19, muitos expectadores apontam que o governo brasileiro está condenando à morte a população encarcerada. É importante ressaltar que o Brasil tem atualmente a terceira maior população carcerária do mundo – 773.151 presos – e alguns presídios operando acima da capacidade em 300%. Mesmo antes da pandemia já havia uma grande lacuna nas condições de vida da população carcerária.

O quadro atual da pandemia nos presídios brasileiros pode ser lido como a continuação da plataforma de campanha do Presidente Jair Bolsonaro — a da necropolítica, na qual o Estado decide quem vive e, sobretudo, quem morre. Em um projeto necropolítico, algumas vidas são consideradas ‘descartáveis. Basta lembrar que uma das frases de campanha de Bolsonaro, em 2018, era ‘bandido bom, é bandido morto'.