As emergências sanitárias exacerbam quase todas as formas de injustiça social no Sul Global. Preconceitos estatais, falhas de governança e respostas políticas inadequadas e inapropriadas deixam legados que podem ser tão graves quanto a própria doença.
Em situações de crise, o fornecimento de serviços públicos e o acesso a serviços de saúde e de bem-estar podem se deteriorar rapidamente. Os impactos são ainda maiores para grupos e populações em situação de vulnerabilidade, tais como mulheres em situação de pobreza, minorias étnicas e raciais, pessoas migrantes, entre outros.
Comunidades e pessoas forçadamente deslocadas pela guerra, conflito e/ou violência são excepcionalmente vulneráveis à Covid-19, como a Comissão Lancet recentemente demonstrou. Sendo o distanciamento físico praticamente impossível, e considerando a realidade de moradias superlotadas e com acesso compartilhado à água, políticas públicas baseadas em quarentena e ‘isolar-se em casa’ têm valor limitado para esses grupos.