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A democracia não está garantida no Brasil em face do "policialismo"

A forte politização das forças policiais que ocorreu durante o governo de Bolsonaro e continua até hoje enfraquece a democracia

A democracia não está garantida no Brasil em face do "policialismo"
Polícia montada mobilizada em torno do Congresso Nacional durante um protesto em 2017.
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Muitos brasileiros têm acompanhado com expectativa as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro deste ano. O evento foi descrito como um ataque às sedes dos três poderes do Estado, promovido por uma onda de militantes extremistas descontentes com a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro e com o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O julgamento contra alguns deles já começou no Supremo Tribunal Federal do Brasil. Foi um atentado grave, que colocou em risco a democracia brasileira, mas inicialmente sem contornos muito claros quanto aos atores que de fato participaram da aventura golpista.

Mais de sete meses depois, os vínculos profundos entre esses manifestantes extremistas, o envolvimento de membros das Forças Armadas e a participação decisiva das forças policiais estão cada vez mais evidentes. Há investigações em todas as frentes: no Supremo Tribunal Federal; na Polícia Federal; no Legislativo (uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional e outra na Câmara Legislativa do Distrito Federal) além de uma investigação do próprio Exército Brasileiro.

Em suma, pode-se dizer que a democracia brasileira vence eleitoralmente, porém o episódio de 8 de janeiro reafirmou um legado que vinha se fortalecendo nos últimos quatro anos: o sequestro das forças de segurança do país pela política.