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Onde está a esquerda europeia em relação à latino-americana?

Enquanto a esquerda europeia apenas mitiga os danos da direita, a latino-americana questiona a hegemonia neoliberal

Indígenas marcham em protestos contra o governo de Guillermo Lasso em Quito
Indígenas marcham em protestos contra o governo de Guillermo Lasso em Quito, em 22 de junho de 2022
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O sempre polêmico Slavoj Žižek, em seu recente ensaio "The left must embrace law and order" (A esquerda deve abraçar a lei e a ordem), compartilha uma grande preocupação com a esquerda política e sua possibilidade de ação atualmente. A esquerda, de acordo com Žižek, não está em posição de capturar ou liderar o momento político de instabilidade violenta que a Europa vive. Diante dessa incapacidade, a esquerda deve apelar para o controle e a lei, ou seja, para o status quo, a fim de evitar cenários piores.

Por algumas de suas posições teóricas, Žižek foi acusado de eurocentrismo, questão explorada por filósofos do Sul Global como Hamid Dabashi ou Walter Mignolo. Portanto, não surpreende que Žižek, apesar de sua análise brilhante, caia em um problema sério. Ele parece acreditar que o que a esquerda europeia pode fazer é tudo o que a esquerda global pode fazer. As experiências latino-americanas podem mostrar que a esquerda global não tem as mesmas limitações que a esquerda europeia.

Desconfiança, decepção e medo na Europa

Os protestos ou revoltas, tradicionalmente organizados pela esquerda, são agora expressões de rebelião da direita mais reacionária. Em seu artigo, Žižek analisa a situação na França, onde o assassinato de um adolescente de 17 anos de ascendência marroquina e argelina desencadeou protestos em massa.