Para alguma imprensa estrangeira os resultados das últimas eleições significaram o “fim do sonho português”. O sonho português era o facto de Portugal ser o único país da Europa sem significativa força de extrema-direita. A verdade é que, ao longo dos últimos cem anos, a extrema-direita esteve quase cinquenta anos no poder.
No restante período, de 1974 até hoje, continuou a existir como uma pequena minoria ressentida e nostálgica, circulando entre a ilegalidade, a legalidade e, sobretudo, a alegalidade, com manifestações por vezes violentas outras vezes apenas sordidamente insultuosas e sempre inconformadamente órfãs do pai que lhes devolvesse o ouro que imaginam alguma vez ter tido.
Se algum sonho terminou, foi o da clandestinidade e contenção da extrema-direita. Para que o sonho não seja seguido de pesadelo, é necessário analisar o que ocorreu nas eleições.