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O fim do sonho português?

Portugal tem de saber lidar com os cinco pilares da extra-direita para que o fim do sonho não seja seguido de um pesadelo.

Um homem com máscara protetora vota durante as eleições presidenciais em Portugal, em 24 de janeiro de 2021
Em 24 de janeiro de 2021, os portugueses foram às urnas para eleger seu presidente - Pedro Fiuza/NurPhoto/PA Images
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Para alguma imprensa estrangeira os resultados das últimas eleições significaram o “fim do sonho português”. O sonho português era o facto de Portugal ser o único país da Europa sem significativa força de extrema-direita. A verdade é que, ao longo dos últimos cem anos, a extrema-direita esteve quase cinquenta anos no poder.

No restante período, de 1974 até hoje, continuou a existir como uma pequena minoria ressentida e nostálgica, circulando entre a ilegalidade, a legalidade e, sobretudo, a alegalidade, com manifestações por vezes violentas outras vezes apenas sordidamente insultuosas e sempre inconformadamente órfãs do pai que lhes devolvesse o ouro que imaginam alguma vez ter tido.

Se algum sonho terminou, foi o da clandestinidade e contenção da extrema-direita. Para que o sonho não seja seguido de pesadelo, é necessário analisar o que ocorreu nas eleições.