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Os heróis amazônicos que não se rendem

A luta dos Guardiões da Floresta, grupo de indígenas do povo Guajajara do Maranhão, para defender sua terra dos invasores e garantir sua existência em meio à pandemia de Covid-19. Esta reportagem faz parte da série jornalística #DefenderSemMedo coordenada por Agenda Propia em aliança com Democraci

Foto dos Guardiões da Floresta
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Se você perguntar ao líder indígena Olimpio Santos Guajajara quando os Guardiões da Floresta se organizaram, a resposta dele será simples: 1500, ano do desembarque da armada do português Pedro Álvares Cabral no Brasil. O grupo indígena que protege o que restou da Amazônia no estado do Maranhão, no Nordeste do país, foi oficializado como tal em 2013, mas para os Guajajara da Terra Indígena (TI) Arariboia essa data é apenas a formalização de uma luta empenhada por eles há mais de cinco séculos.

Os Guardiões da Floresta são um grupo de 120 defensores que protegem os 413 mil hectares da TI Arariboia contra crimes ambientais, quase sempre praticados por madeireiros ilegais. Esse território, localizado no sudoeste do estado, abriga cerca de 12 mil indígenas dos povos Guajajara, Awá-Guajá e Awá – este último isolado. São os Guajajara os principais responsáveis pela proteção daquelas terras. E também as principais vítimas de assassinatos.

Olimpio Guajajara, liderança dos Guardiões da Floresta, banha-se em um rio da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão | Olimpio Guajajara, acervo pessoal

A tarefa do grupo é árdua e muito arriscada. Apenas nos últimos 20 anos, 49 indígenas da etnia Guajajara, autodenominados Tenetehar, foram mortos em conflitos armados com madeireiros no Maranhão, aponta um relatório do Centro Indigenista Missionário, o Cimi. Segundo os pesquisadores, desde 2006 foram registradas 44 invasões para posse ilegal de terra, 20 destas nos últimos seis anos. Isto faz de Arariboia a terra indígena mais afetada pela violência no estado, com folga.