Apesar da profunda crise política que o Equador está enfrentado e do empenho com que as comunidades indígenas enfrentam o extrativismo galopante no país, a construção de estradas para dentro da floresta é incontrolável. Será benéfico, diz o discurso oficial. Quem poderia duvidar disso? No entanto, para algumas comunidades do povo Achuar, no sudoeste da Amazônia do Equador perto da fronteira com o Peru, a natureza incontestável desse benefício não é tão clara assim. Hoje mais do que nunca.
Há alguns anos, começou a construção de uma estrada que, partindo da cidade de Puyo, penetra, como uma agulha afiada introduzida sem piedade para tirar todo o seu sangue, na bacia amazônica habitada pelos povos Shuar e Achuar. A estrada avança, do mesmo jeito que avança uma coluna incansável de formigas operárias. Cria o seu caminho, conquista o interior da floresta, derruba qualquer obstáculo, invadindo o território virgem.
Percorrendo a via para a comunidade de Copataza, correndo paralelamente ao torrente rio Pastaza, o caminho atravessa o território da nacionalidade Shuar. A comunidade concordou que os benefícios que a estrada traria compensariam seu poder destrutivo e aprovaram seu progresso.