A corrupção é um mal. As evidências detalhadas sobre os vazamentos de informação em Luanda ganharam, com razão, cobertura noticiosa internacional. Como já divulgado e conhecido há anos, dentro e fora de Angola, as ações de Isabel dos Santos (daqui em diante designada por IS) agravaram a pobreza e a injustiça, facilitadas por 'instituições ocidentais legítimas', e fazem parte de conjuntos mais amplos de práticas problemáticas em Angola.
O Luanda Leaks é também uma oportunidade valiosa para a reflexão sobre como melhorar o processo anticorrupção. Duas áreas se destacam: compreender as relações da corrupção com outros desafios de desenvolvimento e assegurar que o processo anticorrupção funcione simbioticamente reforçam a justiça global, a igualdade e a democracia participativa. (Os comentários a seguir também correspondem a tendências mais abrangentes de informações e subsídios internacionais e não são todos exclusivos do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e de seu trabalho crucial e bem-vindo).
Sobre o primeiro ponto, os comentaristas devem considerar claramente a corrupção em relação à longa história de conflitos armados internacionais de Angola, em vez de a usarem para ofuscar essa história. Vários artigos, assim como o relatório final do ICIJ e sua cronologia, poderiam ser lidos incorretamente, sugerindo que a pobreza de Angola é, em grande parte, resultado da corrupção de Isabel dos Santos: "Duas décadas de negócios inescrupulosos fizeram de Isabel dos Santos a mulher mais rica de África e deixaram Angola, rica em petróleo e diamantes, um dos países mais pobres do mundo”.