O novo e terceiro mandato de Lula teve um início difícil. Quando tomou posse em 1º de janeiro deste ano, ele prometeu reconstruir um país em "terríveis ruínas". Mas não foram apenas ruínas que ele teve de enfrentar: muitos ovos de serpente para chocar em diferentes ninhos dentro da administração que ele assumiria.
Apesar disto, Lula ao que parece decidiu descansar sobre os louros de ser um pragmático e negociador bem-sucedido; o que significa selecionar ações sem impactos sistêmicos e fazer parcerias e compromissos com pessoas que estão determinadas a minar o que ele afirma defender. Suas promessas eleitorais de crescimento macroeconômico, combate à desigualdade e à fome, aumento do salário mínimo e dos impostos sobre a riqueza, combate à pobreza, habitação social financiada pelo Estado e redução do desmatamento (desmatamento líquido zero) e da mineração ilegal foram relativamente cumpridas e este feito parece muito mais positivo quando comparamos à terra arrasada deixada por Bolsonaro.
Contudo, estes avanços só poderiam ser realmente positivos se estivessem funcionando dentro de um conjunto de políticas públicas de direitos humanos interministeriais mais abrangentes que levasse em conta o ecocídio em escala global. Em um país onde a realidade paralela da mídia social eclipsa tudo, como uma espécie de falsa democracia de massa, as conquistas de Lula um ano depois não se encaixam bem com a promessa que ele fez para o mundo em geral, não só para os brasileiros.