“Quando ela foi assassinada, a forma que o movimento das mulheres negras encontrou para lidar com esse trauma coletivo foi transformando-o em ação política institucional”, afirma Ana Carolina Lourenço, co-fundadora do Mulheres Negras Decidem. Lourenço se refere a Marielle Franco, vereadora negra e lésbica do Rio de Janeiro, crítica ferrenha da brutalidade policial, que foi assassinada antes das eleições de 2018 no Brasil.
Em todo o mundo, o Brasil ocupa a 132ª posição entre 192 países em termos de representação feminina em órgãos legislativos, ficando atrás da maioria de seus vizinhos da região. Em nível local, apenas 12% das prefeituras são administradas por mulheres, e as mulheres negras - que representam 27% da população brasileira - governam apenas 3% dos municípios.
Mas mais de 1.000 mulheres negras em todo o Brasil se motivaram a se candidatar após o assassinato de Marielle em 2018, um aumento de 60% em relação às eleições de 2014. Mesmo o atual aumento no número de candidatas é visto como parte da mobilização que começou em resposta ao assassinato de Franco.