- Este artigo foi publicado como parte da nossa parceria com SEMANA.
Para Yamid Alonso Silva Torres, cortar uma árvore do páramo era equivalente a um corte profundo no próprio braço. Tanto que sua parte do Cerro Mahoma, perto do colossal pico nevado de El Cocuy, é cercada por varinhas de metal. Ele nunca deixou ninguém da sua família derrubar nem uma árvore para delimitar a terra.
O último ar que Yamid respirou e a última paisagem que seus olhos viram antes de ser assassinado foram aqueles os cerros que ele cuidava como funcionário dos Parques Naturais Nacionais da Colômbia. Como ele, 12 guardas florestais perderam a vida por cuidar dos tesouros naturais dos colombianos. E centenas mais sofreram ameaças e pressões mais severas, sem nenhuma proteção além da camiseta azul com um urso de óculos bordados na manga do seu uniforme.
Às 11h20 de 6 de fevereiro, surgiu uma motocicleta avançando em direção à capela da vila de La Cueva, município de Güicán, em Boyacá. Yamid dormia sozinho cinco dias por semana em um posto de controle a cerca de 3.500 metros acima do nível do mar, em um lugar conhecido como Lagunillas, o mesmo nome do rio que desce por lá. Bem mais adiante, há quatro lagoas cristalinas que parecem desenhadas em azul cobalto: La Pintada, La Cuadrada, La Atravesada e La Parada.