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Petróleo vs. energia verde: Lula tem desafio de conciliar riqueza e sustentabilidade

O petróleo representa 13% do PIB, receita indispensável para os brasileiros. Mas a transição energética também é indispensável

Luiz Inácio Lula da Silva fala na COP28
Luiz Inácio Lula da Silva fala no segundo dia da COP28 em Dubai, Emirados Árabes Unidos, em 1º de dezembro de 2023
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Na mesma semana em que Luiz Inácio Lula da Silva aterrissou em Dubai à frente da maior delegação da COP28, o presidente anunciou que o Brasil entraria para a OPEP+. A contradição da tentativa de Lula de se posicionar como líder na luta contra a crise climática ao mesmo tempo em que se alinha com os países exportadores de petróleo expõe os grandes obstáculos nessa luta.

A pobreza que assola a América Latina, cujas riquezas naturais e ecossistemas únicos a transformam em um importante personagem na corrida para mitigar os efeitos do aquecimento global, está intrinsecamente relacionado à exploração de seus recursos naturais. O extrativismo na região, processo que no Brasil começou há mais de 500 anos com o ciclo do pau-brasil iniciado em 1502, deixou como principal legado economias baseadas nessa mesma vocação, promovendo uma concentração de riqueza que faz da América Latina a região mais desigual do mundo.

Essa dicotomia moldou o cenário sociopolítico da região, dando origem a um poderoso movimento de esquerda caracterizado por governos que usaram o boom das commodities no começo do século para melhorar a vida de milhões de seus cidadãos. Durante seu primeiro governo (2003-2011), Lula, um dos expoentes dessa Onda Rosa, tirou pelo menos 20 milhões de brasileiros da pobreza através de programas sociais, que foram possíveis parcialmente devido ao crescimento econômico.