O Relator das Nações Unidas sobre Pobreza Extrema e Direitos Humanos, Philip Alston, divulgou no mês passado seu relatório final, uma crítica fulminante dos esforços internacionais para eliminar a pobreza que ele descreve como resultado de "negligência de longa data" por "muitos governos, economistas e defensores dos direitos humanos".
No centro de seu relatório estão as falhas institucionais do Banco Mundial em lidar com a escala da pobreza global, que subestima persistentemente usando a falha ferramenta de medição baseada no valor base da linha internacional da pobreza (LIP). A LIP, argumenta Alston, estabelece a referência da pobreza em um nível muito baixo para suportar uma vida digna, consistente com os direitos humanos básicos.
Com base na média das linhas da pobreza nacionais adotadas por alguns dos países mais pobres do mundo e calculadas usando a "paridade do poder de compra" (PPC), a linha da pobreza é ridiculamente baixa, chegando, por exemplo, a apenas US$ 1,90 por dia nos Estados Unidos e €1,41 em Portugal. Mas mesmo usando este "nível de vida espantosamente baixo" como barômetro da pobreza, o relatório identifica 700 milhões de pessoas vivendo abaixo de US$ 1,90 por dia.