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Que sociedade queremos depois da pandemia?

É necessário abandonar o discurso bélico e assumir as causas ambientais, juntamente com as sanitárias, se quisermos estar preparados para responder ao grande desafio da humanidade: a crise climática.

Que sociedade queremos depois da pandemia?
Estátua com máscara facial na entrada do Hospital Geral Dr. Juan A. Fernández, em Buenos Aires, Argentina, em 26 de junho de 2020
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Houve muitas pandemias na história, começando com a peste negra na Idade Média e passando pelas doenças que vieram da Europa e devastaram a população indígena na América durante a conquista. Estima-se que entre trinta e noventa milhões de pessoas tenham morrido nos surtos de gripe, sarampo e tifo.

Mais recentemente, evoca-se a gripe espanhola (1918-1019), a gripe asiática (1957), a gripe de Hong Kong (1968), a aids (a partir da década de 1980), a gripe suína AH1N1 (2009), SARS (2002), Ebola (2014), MERS (coronavírus 2015) e, agora, a Covid-19.

No entanto, nunca vivemos em um estado de quarentena global, nunca pensamos que a instalação de um Estado de exceção transitório, um Leviatã sanitário, pelos Estados nacionais, seria tão rápida. Atualmente, quase um terço da humanidade está em confinamento obrigatório. Por um lado, as fronteiras externas são fechadas, os controles internos são instalados, o paradigma de segurança e controle é expandido, são necessários isolamento e distanciamento social. Por outro lado, aqueles que até ontem defendiam as políticas de redução do Estado mudam o discurso devido à necessária intervenção estatal: os programas de austeridade que atingem a saúde pública, mesmo em países do Norte global, passam a ser amaldiçoados.