A constituição chilena de 1980, concebida durante o governo do ditador Augusto Pinochet, é questionada desde sua concepção. Reformá-la, entretanto, parecia uma tarefa impossível até meados de outubro de 2019, quando o povo saiu às ruas de todo o Chile em um protesto social que abalou o governo de seu país e teve repercussão em toda a região.

Mais de um milhão de chilenos saíram às ruas para exigir melhorias na saúde, educação e maior equidade social e econômica. Finalmente, em 15 de novembro, o governo concordou em convocar um referendo, para decidir se o país iniciará um processo constitucional. A possível nova constituição visa substituir o modelo neoliberal e autoritário herdado da ditadura de Pinochet, que prioriza o crescimento do mercado em detrimento do bem-estar social.
Inicialmente previsto para em 26 de abril, o referendo foi adiado pela pandemia do novo coronavírus. Diante de um aumento desenfreado de novos casos de Covid-19 naquele mês, o governo chileno, atendendo ao Ministério da Saúde, adiou o referendo para outubro.