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Relato de um náufrago chamado Sergio Moro

Sobre a ascensão e queda (por enquanto) do padroeiro da Lava Jato. English Español

Relato de um náufrago chamado Sergio Moro
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro protestam contra a quarentena e o ex-ministro Sergio Moro na Avenida Paulista, São Paulo, Brasil, no domingo, 3 de maio de 2020
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Há pouco mais de um ano, muitos brasileiros se surpreenderam com a nomeação do então juiz federal Sergio Moro como Ministro da Justiça e Segurança Pública por Jair Bolsonaro. Até então, Moro costumava afirmar em entrevistas que sua vocação eram as leis e não a política, mas justificou a mudança de critério alegando que o cargo de ministro tem um perfil técnico e pela necessidade de alavancar reformas e garantir a continuidade dos esforços de combate à corrupção. A entrada de Moro no governo rendeu um importante capital político a Bolsonaro, cuja aprovação sempre foi inferior à do ex-juiz. Juntamente com o Ministro da Fazenda, Paulo Guedes, Moro era uma espécie de fiador de aceitação do governo por uma parte considerável das classes média e alta.

Após 15 meses de relação conturbada com Bolsonaro, Moro decidiu abandonar um barco que afunda numa tormenta institucional e em uma das piores crises sanitárias e econômicas já vividas no Brasil. Segundo o ex-ministro, sua renúncia se deve a interferências indevidas em investigações da Polícia Federal que poderiam acarretar na abertura de processos penais contra pelo menos dois dos filhos do presidente.

A ascensão política de Sergio Moro remonta à fama de Hércules togado e à descrença da população no jogo político-partidário que conduziu o país a níveis estratosféricos de corrupção, ao impeachment de Dilma Rousseff e a um vácuo político que foi preenchido pelo projeto eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018. Não é uma tarefa fácil explicar os ingredientes deste projeto, mas, grosso modo, ele pode ser resumido em quatro pilares: