Na sexta-feira, 30 de junho, dia em que Jair Bolsonaro foi declarado inelegível por oito anos, as redes sociais foram tomadas por memes comemorativos. O Brasil "sextou" com imagens festivas ou montagens de um Bolsonaro humilhado.
A condenação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o ex-presidente parecia a consequência lógica do clima de restauração democrática que se seguiu aos ataques golpistas de 8 de janeiro. Paradoxalmente, esse dia fatídico para a democracia brasileira facilitou a contundência dos três poderes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que derrotou Bolsonaro nas urnas há um ano esta semana, demitiu oficiais militares e de inteligência de alto escalão. Em meados de setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o primeiro réu do 8 de janeiro a 17 anos de prisão, confirmando a linha dura do sistema judiciário contra atos golpistas. Por sua vez, o Congresso aprovou o processo criminal contra Bolsonaro, apoiadores militares e ex-ministros.
A impunidade ostentada por Jair Bolsonaro enquanto governava o país acabou. Além disso, sua popularidade foi prejudicada por vários casos de corrupção, especialmente o escândalo da apropriação de joias dadas a ele por sheiks sauditas. A montanha-russa judicial encurralou sua família, incluindo sua esposa Michelle. E levou Mauro Cid, o tenente-coronel que estava a seu serviço, a assinar um acordo de colaboração com a Polícia Federal (PF) em troca de uma sentença reduzida. As declarações de Cid implicam diretamente Bolsonaro na elaboração de um documento de golpe de Estado, o que complica ainda mais o futuro do ex-presidente.