Rosângela Paraná sentiu um calafrio percorrer seu corpo ao ver que os cartazes dos manifestantes diziam: "Parabéns, militares. Graças a você, o Brasil não é Cuba”, ou "Não foi golpe, foi uma revolta popular".
Para Rosângela, e para muitos outros brasileiros vítimas da ditadura militar - especialmente os mais de 20.000 que foram torturados e os familiares dos 434 assassinados e desaparecidos - as manifestações a favor da ditadura são um lembrete assustador de que os fantasmas do passado nunca nos deixaram.
Rosângela revive sua história, temendo o que o Brasil se tornou: "Hoje sou uma pessoa ainda mais incompleta e infeliz, mas isso não é novidade para mim. Nunca vou entender a maldade humana". Ela foi sequestrada quando bebê e adotada ilegalmente por uma família militar em 1963. Seu pai adotivo falsificou sua certidão de nascimento e nunca revelou nada sobre seus pais biológicos.