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Grupo antiaborto chileno se beneficia de recursos públicos

A fundação Chile Unido se sustenta com subsídios de municípios governados pela direita e doações privadas secretas

Os quatro posam lado a lado com um bebê de colo
Heriberto Urzúa Sánchez, prefeito do município de Vitacura, Camila Merino (segunda da esquerda) e Verónica Hoffmann (segunda da direita) em festa de Natal na sede do Chile Unido em Santiago em 2022
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Quase metade do orçamento da fundação Chile Unido, uma organização sem fins lucrativos dedicada à prevenção do aborto, é proveniente de doações. No entanto, a organização conservadora está atualmente envolvida em uma batalha legal para prevenir a divulgação da identidade de seus doadores privados, como resultado de uma investigação do openDemocracy e do La Pública.

Seu orçamento inclui recursos públicos: os governos de Sebastián Piñera (2010-2014 e 2018-2022) e dois municípios de renda alta transferiram quantias milionárias para a fundação. Forçada pelo Conselho de Transparência a fornecer informações sobre suas doações privadas, a fundação recorreu à justiça, alegando a importância de preservar o sigilo fiscal.

No início dos anos 2000, os cidadãos foram bombardeados por um comercial do Chile Unido, que mostra uma estudante com cara de assustada sentada à mesa enquanto os pais servem o café da manhã. “Eles vão me matar, eles vão me matar", ouve-se a narração da adolescente, palavras que são repetidas na suposta voz de um feto. Na época, um anúncio de televisão custava cerca de US$ 3,4 mil, segundo a agência de publicidade Megatime.