Quase metade do orçamento da fundação Chile Unido, uma organização sem fins lucrativos dedicada à prevenção do aborto, é proveniente de doações. No entanto, a organização conservadora está atualmente envolvida em uma batalha legal para prevenir a divulgação da identidade de seus doadores privados, como resultado de uma investigação do openDemocracy e do La Pública.
Seu orçamento inclui recursos públicos: os governos de Sebastián Piñera (2010-2014 e 2018-2022) e dois municípios de renda alta transferiram quantias milionárias para a fundação. Forçada pelo Conselho de Transparência a fornecer informações sobre suas doações privadas, a fundação recorreu à justiça, alegando a importância de preservar o sigilo fiscal.
No início dos anos 2000, os cidadãos foram bombardeados por um comercial do Chile Unido, que mostra uma estudante com cara de assustada sentada à mesa enquanto os pais servem o café da manhã. “Eles vão me matar, eles vão me matar", ouve-se a narração da adolescente, palavras que são repetidas na suposta voz de um feto. Na época, um anúncio de televisão custava cerca de US$ 3,4 mil, segundo a agência de publicidade Megatime.