Dani é uma jovem ativista ribeirinha de 21 anos. Mas, para se tornar o que é hoje, Dani fez um exercício difícil e corajoso de busca de identidade que não é fácil de entender se não se leva em consideração o contexto em que ocorreu. Muitas das comunidades que habitam as margens do rio Tapajós, assim como em muitos outros assentamentos ao longo da imensa bacia amazônica brasileira, são definidas como ribeirinhas.
Os ribeirinhos abrangem a diversidade étnica de seus habitantes, resultado da mistura entre povos indígenas, afrodescendentes e brancos de origem europeia, especialmente ibérica, em múltiplos cruzamentos interétnicos ao longo do tempo. Atualmente, identificar-se como indígena é uma questão de auto afirmação, mas em muitas comunidades, ao longo deste afluente abundante da Amazônia, a mistura é tão antiga e dinâmica que chega a ser impossível escolher um grupo étnico a qual pertencer.
Mas quando o território é ameaçado pela mineração, madeireiras, agronegócio e apropriação de terras sem título, muitas comunidades têm feito esse exercício de auto- demarcação do território, demonstrando que ocupam esses territórios por tempo suficiente para reivindicar suas terras através do Estado. Conseguir a titulação das terras é a única garantia para evitar ser expulso delas, geralmente por empresários que exploram os abundantes recursos naturais que a região possui.