A exuberância vital da Amazônia na tríplice fronteira da Colômbia com o Peru e o Brasil tem uma qualidade estática. Destila uma aparente harmonia, embora esconda múltiplas tensões em sua tranquilidade. Aqui, entre os meandros de seus abundantes afluentes, que descem carregados de matéria orgânica, onde uma biodiversidade excepcional prolifera na inundação de suas águas lentas, nada o boto-cor-de-rosa da Amazônia. Desde a antiguidade, este mamífero aquático ocupa um lugar sagrado nas cosmologias indígenas, como o faz em muitos cantos da imensa bacia amazônica.
Também para Lilia Isolina Java Tapayuri, líder comunitária da etnia Cocama, na reserva Tikuna-Kokama-Yagua, o boto-cor-de-rosa é sagrado. Ele ocupa uma parte central em sua vida e trajetória profissional que a levou a ter um papel importante na conservação da fauna fluvial deste recanto da selva amazônica.
Na cosmovisão dos povos indígenas do Trapézio Amazônico, em um mundo dominado pela água, o boto-cor-de-rosa reina: uma criatura esguia, porém enigmática, inteligente e cobiçada. Nos últimos tempos, o boto tornou-se um ícone das iniciativas que lutam para preservar o ecossistema, que alcançaram também esta remota região amazônica.