No primeiro dia de sua presidência, Jair Bolsonaro, o novo líder brasileiro de extrema direita, assinou diversas medidas provisórias atacando minorias, incluindo uma que removeu a população LGBTQ da supervisão do novo ministério de direitos humanos. Essa atitude não surpreendeu, considerando as declarações dados no passado por Bolsonaro, que declarou-se um “homofóbico, com muito orgulho”, argumentando que nunca seria capaz de amar um filho gay (“Prefiro que um filho meu morra num acidente”). Há muito tempo que suas tendências autoritárias abrangem violência contra grupos marginalizados e suas recente decisões deixa os cidadãos LGBTQ brasileiros temendo por sua sobrevivência.
As consequências das últimas eleições no Brasil para a população LGBTQ podem ainda não ser integralmente conhecidas, mas é possível buscar pistas em outros lugares da região. Na verdade, Bolsonaro não deve ser encarado como um caso isolado de ódio, mas parte de uma onda maior que se opõe às minorias sexuais e de gênero que varre as Américas – incluindo os Estados Unidos – e que é acompanhada do crescimento do poder político dos evangélicos.
O número de igrejas evangélicas tem crescido de forma consistente na última década, abarcando aproximadamente 20% da população em uma América Latina que já foi majoritariamente católica. O fortalecimento de evangélicos fundamentalistas, em uma coalizão com membros de seitas católicas ultraconservadoras como a Opus Dei, compõe um novo populismo que alinha partidos de direita e centro-direita às visões homofóbicas e patriarcais desses fundamentalistas religiosos.