Como o próprio nome indica, o Equador está geograficamente situado no meio do mundo. Pois tudo leva a crer que o neoliberalismo decidiu realizar os seus exercícios de fim do mundo neste país. E talvez, por isso, encontrou no povo equatoriano um obstáculo difícil ou impossível de superar. O neoliberalismo, como todo mundo sabe hoje, é a versão mais anti-social do capitalismo global, porque estritamente vinculada aos interesses do capital financeiro.
Não reconhece outra liberdade que não a liberdade económica e, por isso, é-lhe fácil sacrificar todas as outras. A especificidade da liberdade económica é o ser exercida na exacta medida do poder económico que se tem para exercê-la e, por isso, o seu exercício implica sempre uma forma de imposição assimétrica sobre os grupos sociais que têm menos poder e uma forma de violência brutal sobre os que não têm nenhum poder, a grande maioria da população empobrecida do mundo.
Tal imposição e violência traduz-se sempre na transferência da riqueza dos pobres (traduzidas nas magras políticas de protecção social do Estado) para os ricos e na pilhagem dos recursos naturais, e dos activos económicos quando os há. O Fundo Monetário Internacional é o agente encarregado de legalizar esta transferência que o povo vê como roubo e que se traduz nas violentas políticas de austeridade impostas pelo capitalismo financeiro.