"Equivalente foi trocado por equivalente". É assim que Karl Marx, escrevendo em sua obra-prima O Capital: Crítica da Economia Política, descreveu as várias trocas que impulsionam a acumulação capitalista. Ele estava se referindo a como os capitalistas pagam o valor integral de todas as coisas necessárias para produzir uma mercadoria – como matérias-primas, tecnologia e, o mais importante, força de trabalho.
Isso pode parecer uma coisa estranha para alguém como Marx dizer. Afinal, ele entendia o capitalismo como um sistema econômico fundamentalmente antagônico, onde a política é definida pelos interesses de uma classe exploradora de capitalistas em conflito com os de uma classe trabalhadora explorada. Como a exploração pode estar ocorrendo se os trabalhadores estão sendo pagos pelo valor total de sua força de trabalho? A exploração tem a ver com pagar aos trabalhadores menos do que o valor real de sua força de trabalho?
É útil refletir sobre esta questão. Isso não só nos ajuda a entender o que era específico da teoria de Karl Marx sobre a exploração sob o capitalismo, mas também nos fornece algumas ferramentas muito importantes para entender melhor nosso mundo profundamente desigual. Os 2.153 bilionários do mundo controlam atualmente mais riqueza do que 4,6 bilhões de pessoas (60% da população do planeta), precisamente porque a exploração mundial das classes trabalhadoras tem gerado padrões perversos de distribuição da riqueza.