O frenesi atual sobre a riqueza da "mulher mais rica da África", Isabel dos Santos, e como a adquiriu, é apenas a última parte de uma longa saga de corrupção e oligarquia em Angola.
Como resultado, as eleições angolanas têm campanhas publicitárias televisivas quase inteiramente feitas por agências brasileiras. Elas são espertas e psicologicamente astutas, sempre apelando de uma maneira ardilosa para o homem cotidiano e para os mais desfavorecidos. A ideia é que o abismo entre ricos e pobres pode ser superado - embora nunca o seja -, pois a disparidade de riqueza de Angola é um espelho da do Brasil.
Isto não significa que o país não seja rico. É, sim. Tanto que, durante a crise bancária de 2008-9, que quase paralisou o Ocidente, Angola ofereceu-se para salvar Portugal. E tinha os meios para fazê-lo. A satisfação, se a oferta tivesse sido aceita, teria sido imensa. O forte se tornou fraco. Portanto, há orgulho em Angola, mas isso não significa que haja qualquer tentativa realista de elevar a condição dos pobres. Pelo contrário, a ênfase por parte da elite governante - que se encaixa na elite empresarial - e que se cruza com uma conhecida, mas cínica, elite empresarial internacional, está na aquisição e reinvestimento para mais aquisições.