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Precisamos de uma resposta à Covid-19 construída pelas comunidades indígenas

Garantir a saúde da humanidade e do planeta requer um esforço consolidado que reconheça e incorpore a visão daqueles que há tanto tempo têm protegido a natureza. English Español

Precisamos de uma resposta à Covid-19 construída pelas comunidades indígenas
Lucas Silva/DPA/PA Images
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A investida de doenças como varíola e gripe trazida pelas potências europeias do século XV, combinada à escravidão e ao genocídio, dizimou as populações indígenas em todas as Américas. Hoje, estima-se que existam 826 grupos indígenas na região, com uma população total de 45 milhões de pessoas. Infelizmente, o contínuo descaso aos povos indígenas por parte de muitos governos em suas respostas ao novo coronavírus poderia colocar os que ficaram à beira da extinção.

Enquanto já enfrentam a falta de informação linguisticamente acessível e de cuidados de saúde culturalmente apropriados, muitos grupos indígenas continuam a lutar com ameaças às suas terras e meios de subsistência durante esta crise de saúde. No Brasil, o desmatamento na Amazônia está aumentando, apesar da pandemia.

Enquanto isso, os casos de coronavírus têm aumentado e recentemente tiraram a vida de um líder indígena. Na região amazônica transfronteiriça da Colômbia, Equador e Peru, por exemplo, as indústrias extrativistas continuam a saquear os exuberantes recursos naturais muitas vezes encontrados dentro e protegidos por territórios nativos. Apesar das quarentenas ativas nos centros urbanos, os governos dos três países ainda não emitiram moratórias sobre as atividades extrativistas. O Equador e a Colômbia, inclusive, vêm incentivando empresas a perfurar petróleo e gás para apoiar suas "contribuições essenciais" para as economias nacionais.