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Lembram-se da Sophia Calvo Aponte? Possivelmente a resposta seja que não. Seguramente os seus familiares sejam aqueles que sim a recordam e mantenham viva a sua memória. Foi Sophia quem em agosto de 2014 reuniu aproximadamente 4000 pessoas no átrio da catedral da basílica de San Lorenzo exigindo paz. Sophia Calvo Aponte é uma vítima mais da violência e do feminicidio na Bolívia. A sua perda convocou em Santa Cruz da Serra uma grande mobilização por parte da sociedade civil e dos meios de comunicação, que poucos meses depois foi esquecida, junto com outras muitas mulheres que passam por esta via crucis. Para os meios de comunicação muitas destas mulheres deixam de ser pessoas e convertem-se em simples estatísticas nas unidades policiais da luta contra a violência, parafraseando a Galeano: “mulheres que não figuram na história universal, senão na crónica vermelha da imprensa local”.
Desgraçadamente, Andrea Aramayo Álvarez é mais uma vitima de uma sociedade que não se quer questionar a si mesma, um mulher mais à qual lhe foi retirada a vida. La Paz é a cidade que agora se veste de luto e indignação. Andrea, Sophia e quiçá uma longa lista de mulheres que dentro de uns dias verão os seus sonhos serem ceifados por algum “macho”, que sem pensar nas consequências dos seus atos, provavelmente goze de impunidade dentro do sistema judicial boliviano que é não só lento como também suscetível de ser comprado pela melhor oferta. Os agressores, os assassinos, aqueles que seguem soltos e que não se imutam pelos seus atos, passeiam pela rua como se nada passasse. O caso de Andrea, mostra-nos que não importa o estrato social do agressor e põem à vista o comportamento de determinadas elites sociais.