Na semana passada, a Corte Interamericana de Direitos Humanos anunciou sua decisão de 3 de junho de 2021 em que declarou o Estado venezuelano responsável por tortura, detenção arbitrária e assassinato cometidos por policiais contra Jimmy Guerrero e Ramón Molina, destacando que os atos foram motivados por “preconceito dos policiais, que atribuíram uma suposta periculosidade aos jovens em situação de pobreza". Em outras palavras, sua morte injustificada foi resultado do estigma de que um jovem pobre é um criminoso perigoso, uma vez que não havia mandado de prisão contra eles e Guerrero não havia cometido nenhum crime.
A Corte IDH também determinou que os policiais demonstraram grave crueldade contra o corpo de Guerrero, visto como manifestação da violência policial contra jovens em situação de pobreza, bem como sua convicção de que seu crime ficaria impune.
Guerrero e Molina foram assassinados em 30 de março de 2003, mas o caso nunca foi a julgamento e ninguém nunca foi responsabilizado. Antes de ser executado, Guerrero denunciou às autoridades, em pelo menos seis ocasiões, perseguições e ameaças por parte das Forças Armadas da Polícia do Estado de Falcón e membros do Corpo de Investigações Científicas Penais e Criminais (CICPC).