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Greve plurinacional coloca os maias no centro da política guatemalteca

A vitória da oposição em agosto gera resistência dos poderes constituídos. Mas o povo se mobiliza contra a corrupção

Dois indígenas maias seguram uma bandeira nacional durante os protestos de outubro na Guatemala.
Dois indígenas maias seguram uma bandeira nacional durante os protestos de outubro na Guatemala. - Rosalío Sororec
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"Quem não dança, não passa!" Era assim que os grevistas negociavam a passagem de carros frente os 170 bloqueios que paralisaram a Guatemala: dançando em apoio à greve. A greve indígena foi festiva, com jovens improvisando shows nos pontos de bloqueio, e uniu todos os setores sociais, desde trabalhadores e grupos feministas até médicos e os altos escalões da elite econômica ladina. A greve de 25 dias foi a mais diversificada de todos os tempos na Guatemala e, provavelmente, a mais longa greve indígena nacional na história contemporânea do continente.

A greve começou em 2 de outubro de 2023, após uma convocação dos povos maias para resistir à tentativa de golpe do Ministério Público, e durou até 27 de outubro, quando o município indígena de Sololá levantou seus bloqueios.

Tudo começou quando o partido Semilla e seu candidato presidencial, Bernardo Arévalo, surpreenderam ao vencer as eleições. A vitória inesperada da centro-esquerda preocupou políticos de alto escalão acusados de corrupção, incluindo o presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei. Arévalo era um outsider, inesperadamente catapultado para o segundo turno apenas alguns dias antes do primeiro turno com um projeto ambientalista e anticorrupção.