Depois de perder três eleições presidenciais (1989, 1994 e 1998), Luiz Inácio Lula da Silva deu importantes passos táticos para sua última tentativa de chegar ao poder. Para a campanha eleitoral de 2002, Lula contratou o publicista Duda Mendonça para reformular seu discurso e comunicação política. Ele queria abandonar sua imagem como sindicalista e oposicionista separatista.
Lula lançou a Carta ao povo brasileiro, uma carta para seduzir aqueles que não se reconheciam como esquerdistas: "O Brasil quer mudar. Mudar para crescer, incluir, pacificar (...) Há em nosso país uma poderosa vontade popular de encerrar o atual ciclo econômico e político". A carta, descrevendo um quadro sombrio de corrupção e crise social, proclamou o fim de uma era: "o atual modelo esgotou-se".
Em meio à atual campanha eleitoral, a Carta ao povo brasileiro é uma espécie de déja vú invertido, um sinal do passado para reenquadrar o curso da história. "Lideranças populares, intelectuais, artistas e religiosos dos mais variados matizes ideológicos declaram espontaneamente seu apoio a um projeto de mudança do Brasil", declara a carta. Lula descreveu sua candidatura, como faz hoje, como um movimento "em defesa do Brasil". O slogan Lulinha paz e amor, que destacou o lado mais contido do candidato, estava profundamente enraizado.