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Mulheres indígenas da Argentina explicam o que está em jogo no debate sobre o aborto

Estas mulheres indígenas explicam o que a recente legalização do aborto na Argentina representa para a vida no território.

Uma mulher indígena e seu bebê na província de Formosa, Argentina
Uma mulher indígena e seu bebê na província de Formosa, Argentina - Luciana Mignoli
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“Falar sobre aborto é um grande desafio”, diz Bashe Nuhem, feminista, comunicadora e produtora audiovisual, integrante do povo Qom de Castelli, lugar no nordeste da Argentina conhecido como "o portal do impenetrável" (uma vasta e outrora densa floresta nativa).

“Trabalho em uma rádio indígena e, com outras companheiras, tecemos palavras juntas. Desafiamos homens que não querem que falemos [sobre o aborto]. Ainda é um assunto tabu”, explica Nuhem. Quando conversamos, a Câmara dos Deputados argentina debatia um projeto de lei para legalizar a "interrupção voluntária da gravidez" até a 14ª semana. A lei foi aprovada pelo Senado em 30 de dezembro.

Até a semana passada, a aborto era crime na Argentina, com algumas exceções em casos de estupro ou de risco à vida ou à saúde da mulher. “Eu comemoro essa discussão independentemente do resultado, porque antes o assunto não era discutido nas comunidades”, diz Nuhem, que é integrante da Frente de Trabalhadoras da Comunicação do Chaco e da Associação Comunitária Indígena de Comunicação.