Após a eleição de Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos, comentaristas da mídia americana e políticos do establishment têm tentado explicar por que os democratas venceram o cargo mais alto das eleições, mas fracassaram nas demais corridas. Alguns líderes do partido, como a ex-senadora Claire McCaskill e o atual deputado Jim Clyburn, atribuíram a perda de "eleitores moderados" a questões divisivas de "identidade", como aborto, direitos trans e o movimento 'defund the police'. Já outros vêm focando na aparente deserção de eleitores não-brancos para os republicanos.
O apoio vacilante dos eleitores não-brancos é amplamente citado como sendo fundamental para o fracasso dos democratas em virar a Flórida ou o Texas nas eleições presidenciais de novembro. Atenção especial foi dada aos padrões de votação do eleitorado latino. Em bairros fortemente cubanos em Miami e distritos de imigração mexicana ao longo da fronteira com o Texas, os eleitores guinaram drasticamente para a direita. Em alguns condados, o apoio a Donald Trump aumentou em até 55 pontos.
Na realidade, o êxodo nacional de eleitores latinos para Trump é em grande parte uma falsa narrativa. Em todo o país, latinos votaram em Biden na mesma proporção que votaram em Hillary Clinton em 2016 (cerca de dois terços votaram nos democratas contra um terço que votou para os republicanos). Os blocos eleitorais não-brancos, amplamente listados como afro-americanos, latinos e asiático-americanos, foram cruciais para obter vitórias decisivas dos Democratas nos centros urbanos de estados decisivos, como Filadélfia, Milwaukee, Detroit e Atlanta.