Um grande número de refugiados ucranianos cruzou nos últimos dois meses as fronteiras do seu país para escapar aos horrores da guerra. Mas, como as coisas estão, podem estar simplesmente a trocar uma situação violenta por outra: exploração e abuso por patrões sem escrúpulos e exigentes políticas de imigração.
Numa demonstração de esperança e solidariedade, muitos países europeus responderam à responsabilidade de acolher um cada vez maior número de pessoas que fogem da Ucrânia. A Polónia, onde mais de 2,5 milhões de refugiados atravessaram a fronteira, viu milhares das suas famílias acolherem refugiados nas suas casas. A Alemanha começou a abrir centros de acolhimento e a garantir de imediato o direito ao trabalho a adultos e o acesso à educação às crianças. E França, Espanha e Itália esperam receber centenas de milhares de refugiados nas próximas semanas.
Em Portugal, o primeiro-ministro, António Costa, garantiu aos ucranianos que procurem refúgio no país residência e integração na sociedade portuguesa, através de medidas de proteção temporárias que garantem o direito ao trabalho e o acesso a serviços sociais. Não é algo sem precedentes. Portugal foi recentemente louvado por instituições como o Alto Comissariado para os Refugiados das Nações Unidas (ACNUR) e pela Comissão Europeia pelas suas “políticas exemplares para os refugiados ao longo dos últimos anos” e por “liderar no acolhimento de refugiados”.