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10 anos de guerra: repensar o narcotráfico

Se o México quiser ser um país menos violento, tem que repensar os conceitos que o levaram a adotar estratégias que tiveram resultados inaceitáveis. Tem que pensar nos grupos criminosos mais além das histórias de narcos. English Español

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Soldados do exército mexicano queimando marihuana confiscada. Susana Gonzalez DPA/PA Images. Todos os direitos reservados.

Perante a profunda crise de legitimidade à que se enfrenta o México, devem surgir vozes criticas. A chegada de Trump ao outro lado da fronteira deve acelerar a urgência de enfrentar as mudanças necessárias, num país que celebrará eleições presidenciais em 2018, no meio dum ambiente incerto. A série México na encruzilhada pretende dar voz a estas visões críticas.  

São amplamente conhecidos os números que nos deixaram uma década de guerra contra o crime organizado no México: cem mil mortos e trinta mil desaparecidos. Apesar da história negra que contam, faltando inclusive os nomes e apelidos detrás de cada um desses números, não entendemos os grupos criminosos geralmente responsáveis por diferentes tipos de violência que vive o país. Assim, no México, adotámos uma perspetiva principalmente maniqueia, segundo a qual o crime organizado está formada por uma série de “cartéis” liderados por um ou uns poucos cabecilhas que aparentemente são capazes de supervisionar todos os aspetos operativos do negócio e pertencem a uma categoria genérica: o narco.