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A ultradireita latino-americana não acaba com a saída de Bolsonaro

Opinião: o presidente de saída do Brasil é apenas um sintoma da maré conservadora na América Latina

A ultradireita latino-americana não acaba com a saída de Bolsonaro
Caminhoneiros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro bloqueiam uma rodovia durante protesto contra a derrota de Bolsonaro no segundo turno das eleições em Curitiba, capital do estado do Paraná. 1º de novembro de 2022
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A ascensão de Jair Bolsonaro ao poder em 2018 foi fugaz e estrondosa, pegando observadores locais e internacionais de surpresa. Ex-militar de baixa patente e depois congressista, ele era conhecido por suas declarações misóginas e homofóbicas, mas tinha pouco capital político. Sua ascensão foi facilitada pela dinâmica que levou a uma oposição vertiginosa ao Partido dos Trabalhadores (PT), de esquerda, processo que começou com as mobilizações massivas de 2013, motivadas por demandas por melhores serviços públicos em uma época que o governo investia maciçamente em megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

A então presidenta Dilma Rousseff, do PT, venceu por pouco as eleições de 2014 para seu segundo mandato. Mas o desgaste político continuou crescendo, sobretudo devido aos efeitos da recessão econômica e aos escândalos de corrupção que atingiram o PT durante a Operação Lava-Jato, uma série de investigações judiciais que levaram à prisão de dezenas de políticos e empresários e desacreditaram o sistema político, demonizando o PT. Muito rapidamente as mobilizações guinaram para a direita, impulsionadas pela Lava-Jato, e eventualmente levaram ao impeachment de Dilma em 2016 e à condenação e prisão do ex-presidente e líder do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018.

Com Lula preso, Bolsonaro instalou sua política digital, forjando uma relação direta com o eleitorado e fazendo amplo uso de fake news na corrida contra o candidato do PT, Fernando Haddad. Ele atacou a "ideologia de gênero" como a outra face do "comunismo" (que se converteu em sinônimo de petismo), criando um bode expiatório para problemas como a corrupção, pânico sexual e insegurança pública.