Um uniforme verde oliva ou camuflado azul escuro, bege e cinza no meio de uma estrada na Venezuela não é um sinal de segurança. Pelo contrário. É nos postos de controle militar e policial que eles garantem o matraqueo, como é chamado coloquialmente – uma espécie de imposto ou pedágio ilegal.
O número desses postos de "controle" distribuídos nas extensas e abandonadas estradas da Venezuela cresceu desde março de 2020 com o estado de alarme decretado pelo presidente Nicolás Maduro devido ao coronavírus, que impôs quarentena e aplicou restrições à mobilização entre estados.
“Nestes meses de pandemia, houve uma multiplicação desses controles e todo o país está repleto de histórias de como eles extorquem dinheiro”, diz Manuel Gómez, diretor-geral da Acción Campesina (Ação Camponesa), organização fundada em 1976 que presta serviços a organizações e instituições do setor rural e, principalmente, aos pequeno produtores. “E o governo de Nicolás Maduro, por omissão, permite o matraqueo”.