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Argentina: o regresso da terapia de choque

A Argentina de Macri é um intenso campo de batalha, um laboratório conflituoso que antecipa uma disputa amarga entre visões políticas opostas na região. English Español

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Michel Temer, presidente de Brasil, e Maurício Macri, Presidente da Argentina, durante una conferência de imprensa em Buenos Aires. 3 outubro 2016. AP Photo/Natacha Pisarenko. Todos os direitos reservados.

A terapia de choque está de volta à economia argentina, ou, pelo menos, esta é a expressão mais usada para descrever a política dos primeiros dez meses da presidência de Maurício Macri. Contudo, apesar dos títulos sensacionalistas, esta descrição não é completa. Na realidade, pese a que Macri tenha implementado uma serie de medidas de liberalização de longo alcance, em clara rutura com as politicas dos seus predecessores, Cristina Fernández e Nestor Kirchner, esta mudança não supõe um retorno ao “Consenso de Washington”. Além disso, também não existe um consenso generalizado sobre se a política de Macri é acertada ou não.

Noutras palavras, a volta de 180 graus na política não vem acompanhada por uma completa sensação de desencanto frente ao modelo anterior – um modelo de esquerda populista. É por isto que, para preencher o vazio, Macri ideou uma estratégia com um duplo sentido: por um lado, mostrou-se disposto a manter alguns dos programas sociais mais populares, adotados pelo governo anterior; por outro lado, tentou representar como catastrófica toda a herança económica recebida pelos Kirchner. Arremeter contra os predecessores não é algo novo na política Argentina. Mas esta vez a descrição calamitosa parece estar guiada mais por motivos ideológicos que por um verdadeiro mal-estar socioeconómico.  Neste sentido, a Argentina sob o governo de Macri é um intenso campo de batalha, um laboratório conflituoso que antecipa uma amarga disputa entre visões politicas opostas na região.