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Cuba perdeu seu unicórnio azul, assim como a revolução

A ausência de crítica à repressão aos artistas do Movimento San Isidro mostra quantos acadêmicos, jornalistas e esquerdistas desatualizados ainda acreditam que Cuba alcançou um paraíso socialista.

Cuba perdeu seu unicórnio azul, assim como a revolução
Manifestante no Restaurante Versailles em Miami, FL, EUA, em apoio aos artistas cubanos presos pelo governo | Miami Herald/TNS/ABACA/ABACA/PA Images
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Em 2017, escrevemos um artigo publicado nessas mesmas páginas sobre o extremo desconforto dos governos e acadêmicos da esquerda latino-americana em criticar o governo cubano ou enfatizar a necessidade de mudanças. E acrescentamos que a Europa, que no passado contribuiu para as transições democráticas na América Latina, não exerceu nenhuma pressão pela democratização de Cuba.

Três anos depois, questionamos mais uma vez a indiferença de dirigentes e partidos políticos da América Latina e, neste caso, também da Europa, em relação às práticas repressivas do governo cubano para com um grupo de artistas do Movimento San Isidro.

Em 2018, o governo cubano propôs o Decreto 349 para limitar a liberdade de expressão. Um grande número de artistas reagiu ao que consideraram mais uma afronta do governo à cultura. Em 2019, muitos desses artistas organizaram uma bienal paralela, denominada Uma Bienal Sem 349.