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Déficit de atenção: o transtorno anticapitalista

O TDAH é a condição neurológica do capitalismo tardio — e também é seu anjo exterminador

Déficit de atenção: o transtorno anticapitalista
O cérebro com TDAH é feito para o pensamento criativo, não para a labuta inútil - James Battershill
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Meu marido tem transtorno de déficit de atenção. Bem, ele nunca foi diagnosticado. Seu TDAH é forte demais para permitir. A tentativa de Erik de obter um diagnóstico na Holanda, onde moramos, envolveu diversos telefonemas até conseguir encaminhamento ao lugar certo; preenchimento de formulários e questionários; uma longa espera para a consulta; repassar os formulários e questionários com um psicólogo assistente; desenterrar relatórios da época da escola; e organizar entrevistas com o pai de Erik (que tem suspeita de TDAH) e irmão (que tem TDAH diagnosticado) para descobrir como ele era quando criança.

Não preciso dizer que Erik não concluiu o processo. É um milagre que qualquer pessoa com a condição neurológica consiga. A ADDitude Mag, uma publicação que foca em assuntos relacionados a TDAH, lista os sinais do transtorno como: memória disfuncional para tarefas cotidianas, desatenção, distração e função executiva ruim. As funções executivas são habilidades que auxiliam em ações como planejar, gerenciar o tempo e realizar diversas tarefas cotidianas. Erik não tem o “H” em TDAH — ele não sofre de hiperatividade. Mas as pessoas com déficit de atenção não têm uma boa relação com a burocracia.

Erik não gosta que digam que a maneira como seu cérebro funciona é “disfuncional”. Ele passou os primeiros 40 anos de sua vida sem saber que poderia ter TDAH. Em vez disso, desde a infância, era caracterizado como esquisito ou estúpido. Ele então passou cinco anos lutando contra a ideia de tê-lo: primeiro rejeitando o rótulo, depois aceitando-o em particular, mas ainda com medo de falar sobre isso com os outros.